sexta-feira, 12 de maio de 2017

Perdoa tanto, tampouco ...









Perdoa por valorizar o vaso 
Não o conteúdo do mesmo
A lua e não o branco luzeiro
Os dedos e não a ânsia

Perdoa valorizar o peso
E não ser o balanço dos teus
Medos e receios, perdoa
O esforço sem alcançar 

A beleza que de tu'alma vem
A memória curta e o teu
Vago cheiro em mim,
Quase mineral e mágico 

Sim, perdoa a mágoa e os beijos
Que não dei nem a ti
Nem a outrem porque nem tento, 
A indecisão do caminho

Que levo e porque não
Posso ser levado pla mão tua
Nem quero, perdoa 
Este inverno sem calor profundo

E porque fiz da ceara tua
Meu prado, perdoa por isso
E sobretudo a convicção
Com que digo o que minto,

Perdoa se sou desatento 
Pois me doi no rosto teu
O sentimento que tudo é vão
E o fumo é o espelho

Nada resta que não seja
Pedir perdão e desabotoar 
Do peito a mágoa de não 
O poder ter porque não sinto 

Talvez direito a tê-lo cá dentro
Tão tanto, tampouco 
É um desejo de mim mesmo
Ou teu...




Joel Matos (03/2017)
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Alma e lírica ...






A alma lírica dá passadas vastas como sínteses,
Que é feito do mundo, porque breve meu olhar é
E antes que esqueça envelhecida a voz e o senso
Que se perde como se fosse pele do céu, eu víbora

A alma lírica de partida que se pensa num auge, 
Embora eu mal seja réptil corvo, outro a sonhar
A própria voz em homenagem a quem não serei,
Vasto como síntese porque o nada é impossível,

Nem os sei descrever, distrai-me do que é viver
Passadas curtas ou caminhar a par doutros seres
Que não conheço, de cabelo mais vasto que o meu,
Incómodo o meu desejo de no infinito haver fim

E saber do que é feito tudo, havendo céu por-de-meio,
Ou então por-de-baixo um mundo que-se-não sabe, 
Templo Ilusório, alma lírica, extracto de tristeza, 
Loucura sem perdão, sou somente homilia, sentindo

Que sou nem quem, mas quem nem pareço, ausência 
Sem remédio e antes que o vento vença o cerro, antes
D'antes mesmo da cigarra e as semelhanças morrerão
comigo, anatómicas, como acontece a quem enlouquece

Triste por a última vida ter sido gasta num ápice,
Porém fiz ao sonhar triste aparência de tão pouco, 
De facto o que sou, quando exilo de-dentro de mim
O ruído de todo o mundo e mais o outro todo ...




Joel matos ((02/2017)
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click folk flop flux...




click folk flop ...



A magia é um click imperfeito
Que de quando em vez me falta
Umas vezes se dá de facto nest'alma
Outras à flor da pele e me arrepia

Tal qual escama de peixe-lua
E me dá frio a ironia é não fazer
Click's e crer na ilusão feita
De ter vara e ser mago d'folk

Assim tolo sou o mágico
Perfeito, ilusão o meu delito
Que funciona ou não tão bem
Quanto a outros d'ofício,click

E chapéu de bico agudo, flop-flux...




Joel Matos (02/2017
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Tudo e isto …





Tudo e isto …


Tenho por costume sentir tanto
Como se nada viesse doutros tinos, o uso 
Que tento dar ao sentir como sentisse 
Real tectos falsos, estou reduzido

Ao que sinto, sentindo tão pouco
Embora tanto, mas tampouco são
É o pensar que muda fácil, descalço-me
E subo os veios duma figueira-brava,

Não é inteligência nem puro raciocínio
Este jogar de cartas fácil por debaixo
Da mesa, são antes os dados da roleta, 
A raiz em números desta ilusão de dizer

Certas coisas que sinto como água benta
Correndo mil vezes mais lenta nas veias
Que chuva de parafina quando cai à vista
Fixa ao pensamento, se é que ele existe

Apenas porque o tento alcançar tanto,
Causa perdida tara breve, mentira, 
Embuste, simbiose, ficção que parece 
Quase graça mas faz lembrar maldição

Ou a guerra dos sentidos de encontro
Às paredes do enjoo, mais-valia eu ter
Estômago de mar-alto em vez de sentir tudo
E isto …




Joel Matos (02/2017) 
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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Bizarro







Uma bizarra noção, a da palavra dita,
Pronuncia-se e acabou, se a escrevo
Se fixa, se vale ou não, depende do
Compositor e não da validade oportuna

E do espécime, mas bizarras, quanto
Mais melhor e belas, as ditas por nós
E os silêncios pelo meio e dentro, graças
À voz, outra noção bizarra, fraca ou grossa,

Dependendo do conjunto, corpo e alma
E a faculdade de ouvir, a crença, se de noite
Quando sente ou nota o coração mais, 
Se dia, dita perfeita e com fé que haja

Alguém ou algum caminho tal como o meu,
Bizarro, igual a ninguém, apenas a uma
Lembrança que em minha pronuncia há,
Bizarra noção a da palavra escrita, 

Magnífica quando nem o entendimento 
Entende, quanto mais o coração que 
Não soa ao eu poético, mas à razão, bizarra qb
Para ser poesia e ilusão de pertencer a gente

Duma bizarra nação, a da palavra "ditada- 
-Por-mim" ...









Joel Matos (02/2017)






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o Outro






Na parede d'alguém
Escrevi, - eu existo -
Na parede da frente
Alguém mais baixo, escreveu:

-"Embora Zé, sem visto
Eu ninguém sou, nem
Aqui nem lá donde 
Vim e pr'ond'me vou,

Nem o Cristo me visita,
Ou o outro indiferente,
Ostentando o crucifixo 
Torto" 





Jorge santos (02/2017)
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A onze graus da esperança toda







Faltam sonhos
Nas casas da esperança,
Voltam calmos quando
Deles se fala pra dentro,
A outra fase do silencio, 
É a lembrança partida,
Que destes tenho e dessa sobrevivo
Instante a instante, 
Momento a momento,
Quando os sonhos voltam aos anjos,
A casa dos sonhos é ao fundo, 
Na estrada
Para Entepfuhl, 
A onze graus North West 
De toda a esperança e que me levará
Até ao fim do mundo ...



Jorge santos (02/2017)
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Sempre que desta falo ...






Sempre que desta falo,

Metade é dom do luar, a ilusão,
A outra, humana completa,
A fala, ela com que conto
Como e do que é feito o pensar,

Tal é o caso daqui e agora,
Os sentidos mais são sobra,
Atraiçoam a imaginação,
Como ind'agora ao sonhar 

Sonhos múltiplos disto pintados
De fresco e framboesa citrinos,
Todos em tons de laranja,
Omiti infelizmente do luar o tom

Metade e o espírito deste conversa
Não expressa, o que deveras 
Sinto na humana metade minha
Que resta, que fala sempre que

Falo e me detesta sempre que
Falo desta na voz que Deuses
M'emprestam e consentem em
Parte, a palavra pequena, pequenina,

Pequenininha, minha ...












Jorge Santos (02/2017)











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Se ...







Se fosse um axioma natural,
O destino meu seria d'ouro
E isso que digo verdade
Insofismável, não estaria

Inquieta tanto, esta alma
Minha escrita, pondo todas
As esperanças em sentir ser
Poeta de todos e não ilegal e igual

Enquanto vivo, pois sinto que
Vida é isto que escrevo e não
Apenas enredo sem actores 
A sério, senão eu actor e acto

Hipócrita. i'nda assim publico o que
Nem sinto, nem o choro assoma
Como alego e divulgo naturalmente
Tal como detergente ou sabão azul,

(Ao quilo, - 21 gramas-) ...








Jorge santos (01/2017)





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Eu erro o ar que meto...







Eu erro o ar que meto plo osso do nariz,
O mero deitar-me com o que fiz 
E levantar-me com o "se nada
Fosse", como se tivesse eu perdido

Todos os fios das madrugadas, o frio ar
Que não respiro nem lembro se,
E começo de resto zero outra vez,
Sou feliz pouco por isso, não lembro

O que perco e porque morro da fala
Todos os dias um pouco, fosse
Por medo de errar o que da sorte
Se diz e o esquecimento que me

Cobrirá, do que a terra molde
Em acerto e normalidade
Eu erraria o ar que respiro menos, forço
O fazer falsa parte daqueles

Que vêm simples, os símbolos de ver
Dos olhos cansados da Terra
E o que nela ocupam na largura,
Do peito ao dorso, esse não tão oco

Como meu, que o ouço não respirar,
Eu erro o ar que meto plo osso do nariz,
No meio da boca torta,(um pouco)..







Jorge Santos (01/2017)














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Pra lá do crepúsculo

Pra lá do crepúsculo Deixei de ser aquele que esperava, Pra ser outro’quele que s’perando Em espera se converteu, alternando Despojo com eng...