quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Deito-me ao comprido

 





Deitado ao comprido,

Sinto a vida ao passar,
No passo que passando,
Passa entre ser e haver,

Assim achando, passo
Duma vida q’apenas passa
Por achar prazer, passo
S’ta vida por’achar,por’ser

Entre o que me pesa,
E o que pesa esta dor
Minha, antiga amarga.
Querer é perder-me,

Eu acho e sinto nela,
O desprezo, que o tem,
Sinto-o quando passa,
Bora não o veja passar,

Invejo-a com a raiva,
Que me rói a alma,
Arranha mais fundo,
Qu’tudo que é rombo,

O desprazer suposto,
Duma vida por sonhar.
Simulo-me profeta,
Deito-me ao comprido,

Noutros trilhos, coutos
Extintos, causa-morta.

Joel Matos 19 Novembro 20/25

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1 comentário:

namastibet disse...

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