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Mensagens

A mostrar mensagens de Dezembro, 2012

Como se fosse eu, do céu, seu dono.

Tenho pressentimentos tais que, se pudessem vê-los, Acresceriam numa dimensão mais o caos imundo, Como se fossem bruxedos banidos ou ogres velhos, Saltitando p'ra fora de barrancos e do lodo.
Tenho pensamentos de sombras, sinas e sinais Tais como aqueles que deram aparência de escuridão a Fobos E tal como éter, entram e saem p’las narinas Sem que possamos vê-los, mas senti-mo-los
Nas veias e nas fossas nasais, intensos, desliais… Tenho pensamentos que não posso partilhar Com os demais, por serem vagos como o medo nos umbrais.
Tenho pensamentos verbais, que se pudesse lê-los, Alteraria sonho em pesadelo, fé em simples credo, Com a sua horrorosa procissão de sapos, Saltando pra’ fora das covas do feudal degredo.
Tenho pensamentos tão desusuais e inumanos, Tais como aqueles que deram vida aos Elfos E, como éter, entram e saem pelas narinas, Sem que possamos vê-los…mas senti-mo-los,
Nas veias e nas fossas nasais, violentos, irreais… Tenho pensamentos infernais mas invejo nos anjos, os pássaros, Com as …

Tenho um conto original p'ra contar...

Tenho um conto original Para contar Nem bem nem mal, Sem muito alterar
Acaba no fim, A originalidade que tinha, No início  Da primeira linha,
Depois, sempre em tom igual, Conto sobretudo, A alma alheia, da qual Duvido, mas D’ouvido
Me soe mais suave. Não desejo a eternidade, Pois de nada me serve, Ou ajude,
Conto o amor, Quando o calo, O desamor, Quando o falo,
O oportuno quando desminto O engano, aos crédulos, A um quórum injusto E a mais uns poucos sujeitos…
Joel Matos (21/12/2012) http://namastibetpoems.blogspot.com

Hades, rei do mundo escuro.

Ouço a esfinge murmurar por dentro, E furar-me com o olhar cravado, Por me não poder seguir andando, Ainda tive vontade de fechar o livro,
Mas um adúltero e mau presságio    Sugere que dentro, antes eu me feche, Tal e qual um jogo de esconde e foge Em que me disfarço d’enigma e mistério.
Ouço a esfinge murmurar por dentro,  Não creio que seja d’alegria, Pois soa mais a um triste choro, Vindo d’alguma fóssil alquimia
Ou silvo de serpente que fascina, E me convida a migrar pro além.

Hieróglifos Indecifráveis como a sina Alinham-se em galerias d’aragem
E ouço a esfinge murmurar por dentro Do passado, no fundo e místico templo Soando como prenúncio, dum futuro E malévolo Deus do crepúsculo...
Joel Matos (12/2012)

O meu parceiro "O Positivo"

Deixei ficar pra trás o coração e morro devagar, Como tem de ser; e o que distingue afinal Um devoto, dum vulgar ramo á deriva num mar, Pressuposto lar, pra uns; pr’ós outros insonso-sal,
Não é que, ao crepúsculo, eu seja desapaixonado, Nem ao mar, nem ao dourado das folhas no outono, Mas vejo-as como se fosse prefácio do meu sonhando, Sem ter uma ideia separada, para o que é corpo e alma.
Sei que as coisas não são senão coisas com coisas dentro E comigo passa-se o mesmo, desembrulho Ideias como se fossem cebolas, com cebolinhas de dentro, E existir passou a significar tão só, escritos dum embrulho,
Qual quando molhado, esbranquiça e se dissolve. Sou causa ex-tinta e convenço-me que já não existo Por ter esbanjado o que o tempo e o espaço serve, De graça como se vivesse num quarto de beirado.
Cada dia acordo com a visão do que parece um nada-vivo, Depois debato-me até ao final do dia e acrescento na certeza O pretender viver, uma espécie de vida de longo prazo, Tendo no peito e ao vivo, um paradoxal pa…

E já nem certo sou... do meu pensamento

E já nem certo É, o que inconsciente, eu vejo Quanto mais o visível, Se o nem conheço,
E se o avistasse, Não poderia falar Dele, esse elucido e vão Dom, quem sabe todavia,
Se o dou, por não me pertencer, Se o possuo, mas sem saber, Ou se o tenho e não o entendo E se o reconheço em mim, não o tendo.
Penso que, assim inconsciente, Não o esquecerei, se nem o avisto Tampouco e se me demoro a pensar Que o mereço... nem o escuto,
Ou o que ele diz, e bem E eu mal julgo ouvir, Mas apenas se me convém, E se não for muito profundo.
O pensamento… Por um momento escuto-o, Mas resisto, a ir Na corrente
D’água viva, Debato-me na razão,   Entre o que é o eu, Do quem eu sou,

E do que é o nada,
Se pudesse, Seria apenas, Como outros o são, Pensando menos,
Em vão…
Joel Matos (2012/12)

A casa dos sonhos.

O que sinto que sonho e sinto sendo, Sinto-o como tendo um corredor humano Mas Imaginário, d'habitação. Aprendi a fingir cedo, Quando ainda não contemplava o desatino
Como arte e me deixava seduzir a escreveres Vulgares. Tornei-me apartado do corpo, Embora de "design" simples, Por vezes exprimo um prazer despregado,
Supondo que penso e supostamente sinto, Porém revisto-me de rodilhos E mendigo por um sentido absoluto, Avassalado de sintagmas verbais abstratos.
Como se a língua minha fosse vassala Do que desconhece e d’onde nada vem. Por vezes, nem bom aluno sou…dela, Nem sei quantas salas inda mais, o sonho tem.
Joel Matos (12/2012)