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Mensagens

A mostrar mensagens de Janeiro, 2011

Definição de esperança

Breve, o dia em que decidi ser alguma coisa, Espuma de mar cavado na sarração do vento. Acordo no meio de uma conspiração d’ondas e horas E dedico os últimos minutos a tentar definir o tempo
E lembro-me de não querer ser capitão d’coisa alguma Sobretudo no dia de hoje que acabará d’manhã bem cedo, Ainda me pus a olhar o futuro, sem solução à vista ou relógio d’pulso E, na vigia baça da embarcação, abocanho um curto sonho,
Um sonho em vão, de quem espera horas e horas o fio, Mas breve, breve como as ondas no bojo preto deste navio Cargueiro. Vi passar o rápido, das nove e um quarto, Branco, branco…Tinha na face, a expressão da glória antiga,
E eu aqui no porão, como um rato num ínfimo labirinto, Hostil e angustiado sob o peso da máquina universal do atraso. Ah, se eu estivesse atrasado dezoito horas na vida, Começava tudo outra vez, à meia-noite e vinte em ponto
E seria mais um livro, posto na prateleira, sem paciência Pra ser lido, contudo, sinto-me vivo como um nado-morto, Embalado pelo dever de viver…

Não sei que vida

Não sei s'esta vida é pouca ou demais para mim. Não sei se sinto demais ou de menos, enfim, não sei, Nem sei se sinto o que sinto e penso ou, se vindo De mim mesmo me convenço, que penso e que sinto, não sei.
Pertenço a um conceito de vida que não sei se já viveu, Não que seja seu, o brilho que a minha alma repete, Mas o dedo e o braço esticado, são do mestre Dantas, Montado num escadote, tentando unir o céu ao esforço meu.
A vida, não tem norma invicta nem linhagem fixa; Dispenso-a… e à memória… e ao labirinto, são coisas… Completo-me com o raciocínio , Nem sempre coerente, nem lisivel, é pouco…é pouco,
Leva-me a um lugarejo litigado do divino, Em que alinho letras e letras soltas, envoltas de linho…fino. Não sei se vida é isto, armazém sem baixas, Onde me procuro e só encontro desarrumo
Em caixas de cartão amarelado, apodrecido… Não sei se lá jazz ou me vigia a fraude, Soerguida da segunda metade humana que me resta, Ou se o silêncio encerrará, o meu festim de vida. (e de humano em festa)
Não sei…

Triunfo do tempo

O Triunfo do tempo
Dobrando a ombreira calada, Onde tudo se passou, ou quase nada E se pressente p’ra lá da paulatina Ceia, a tal nota duma gasta máquina
De cortar cabelo, já cansada, Mas o tempo, aqui ainda não parou, (continuará a caminhada “ad eternum”) E amanhã serei eu que com ele também  me vou…
Ah, que Saudades já tenho do velho vinho, Aquele que se derramava por gosto, E ardia…ardia com’o calor d’agosto, No rosto e no seu jeito a rapazinho velho.
Parece q’ ninguém aqui passou por mim, E s’acaso estiver fazendo  eu algo aqui, Sei q’m’entende (ele sabe entender tudo,) Se estiver falando, falarei com ele ,d’quando (en’quando.)
Ele me conseguia ainda ouvir e ver, Agora não passo de um fumo surdo, no fundo Falo pouco, continuo ausentado, a semiviver No Triunfo do tempo promulgado.
(depois adormeço e volto já manhã ou na seguinte data (--/--/----) Espero ter sempre o meu pai aqui ao lado, Ainda por muitos e muitos Natais.
Joel Matos (01/2011) http://namastibetpoems.blogspot.com

Carta a "uma Poeta"

Cumprimentos Poéticos…Lídia, meu amor, minha ninfa…
Dirijo esta carta a “uma poeta”, ou duas… ou três… (ou todas) e designo-as de poetas como ao feminino de professores e adivinhos chamo de professoras ou de adivinhas, adivinho algumas poetas que partilham do meu subconsciente, delas nascem as minhas mais belas invocações do parecer real. Possivelmente lembras-te de Psyche ouAnnabelle Lee, encontrávamo-nos num jardim perfumado por narcisos e perturbado por sombras sem nome, povoavam os nossos sonhos comuns, uma algaraviada multicolor de místicos míscaros e, não sabendo quais escolher, que não nos provocassem morte imediata, confiávamos cegamente nas negras máscaras, das virgens nuas que se perfilavam nas nossas consciências incomuns. Foi com um intenso prazer que as li e reli, imediatamente surgiu em mim uma vontade grande de lhes prestar homenagem, pelos seus escritos cheios de sonhos e estética poética, ambos sabemos misturar os sonhos e a vida sem destrinçar qual duma é a realidade e …