sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Nada me prende...A Nada,






Nada me prende a nada
E até no espelho venho
N’uma imagem estragada,
Alugada; Onde o’tenho?


Se é que ainda o tenho,
Na parede esquecida,
Olhando, medonho,
Esta parcela do nada.


Nada me prende a nada,
Nem aos pés quando os ponho,
No chão de terra usada,
Em chinelos d’um estranho.


Estou gasto e extinto d’vida,
E s’inda penso qu’a tenho,
È porque não a perco por nada,
Se nem completo eu o seu sonho.


Divido-a, entre a mera divida,
Do plágio torpe e tristonho,
E no que ainda haja de dúvida,
Em ser curto e meu o tamanho.


Nada me prende a nada,
Se nem ao dúctil rebanho,
Menos ainda à corda,
Que m’estrangula d’engano.

… e nada…


JOEL MATOS
(10/2010) 
http://namastibetpoems.blogspot.com

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