quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Ainda hei-de partir por esse mundo afora montado na alma d'algum estivador


Tenho a alma tosca d’um estivador,
Que tanto me dói de tão dura,
Não fosse furada por uma grossa goteira,
Não teria maneira d’achar outra dor,

E eu estimo o que por ela andei,
P’las milhas em meu redor,
Amachucando no íntimo a lei,
Que dizem que existe no país do rancor.

Lastimo estas dores ilegais,
P’lo que delas na alma ainda perdura,
Mas da pele tesa dest’estivador do cais,
Gretou apenas a branca rija salmoura,

Por dentro, ond’era mais precisa,
Permanece fluida e convive,
Comigo de forma branda, religiosa
E leve…

Tenho alma d’estivador sem terra e sem destino,
Olhos prenhos do que no mar em redor
Encerra, embarquei na noite, clandestino,
Numa caravela e posso finalmente rir sem pudor...

Por esse outro mundo afora…

Joel-matos (01/2013)

3 comentários:

Jorge Santos disse...

Não há palavra desnivelada não ha nada qu'eu escreva que não tenha escalavrada numa face a verdade na outra uma inverdade garantida,ou aliás ela mesmo,a pérfida'idiota mentira e eu que me junto nela ao irreal velejar qu' est'alma implora... no registo da minha REAL viagem vou incluir em Abril/Maio 2013 a travessia do deserto do Taklamakan A China de Bicicleta ,serão quase 5.000 km entre Xi'an e Biskek no Kirguistãn que tentarei completar num mês para voltar no ano seguinte por mais 1 mes (2014)e no outro ainda (2015)... embuçado do espírito de Marco Polo e da mais antiga rota mercantil do planeta , que modelou a humanidade (the silk Road) subsequentemente... e que os deuses me acompanhem na minha e tua viagem a viagem de quem me quiser acompanhar...Namastibet (carpe-Diem) JORGE SANTOS/TRANSHUMANTE/JOEL MATOS

Karinna* disse...

*UAUU! Admiro-te. BeijoKa*

Luna Di Primo disse...

e aconteceu? rsrs nao encontro seu perfil bjuuu

Às vezes

Às vezes, o que resta na mão nos foge, Tal e qual como num livro a palavra fim, Sinto um vidro fosco ente mim e essa luz Que me ...