Se eu mandasse, voltaria ao contrário a curva do
tempo,
Sentiria replicar na alma fria e vaga o sentir
profundo,
Onde é mar batido, afundava aí o meu corpo
E nas ondas me envolvia, desse vagar de mar vagabundo
E ainda acabava por ter aquele odor, que tem do
lodo, o sargaço
Da maré-baixa; talvez por nada ter de salgado esta
outra vida,
Teria no cheiro algo imenso e um nobre pertenço
Como se outra fosse, não esta minha, “ brisa
plagiada “.
Da curva fútil do tempo, onde a realidade é
feita em céu
Continuo sendo um nada, nem a sombra do mar morto
Reconheço como sendo vestígio meu,
Sendo apesar de tudo o cais onde eternamente me acosto.
Se eu mandasse, voltaria ao contrário o mundo,
Na beira punha os olhos e os mares no fundo do
coração
E eu andaria nu por essas estradas curvas,
velejando
A minha inquietação em fuga…
Joel Matos (10/2011)
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