Avançar para o conteúdo principal

Existem esferas











(The choir of the planets in the harmonic mundi)






Existem esferas sob meus pés,
Sinto vozes e rodas, creio serem 
Pertença de forças ou fadas do ar,
Qualquer uma ocultaria em si,
O que é a minha própria irmã gémea, 

Se a tivesse, ou o paraíso,
Existem esferas sob meus pés,
Estranho é aceitar como real
Esta ilusão de rodar com a
Atmosfera, se tudo o que rola

Sem rodar, são meus dois pés 
E em volta deles tudo parado,
Até o ar parou de viajar, viajando
Nas vozes que são em coro dentro
De mim e que mais ninguém tem,

Existem esferas sob meus pés,
Ao menos alguém me diga, 
O que fazem aqui e porque não 
As posso ver e perceber, acaso
No dia das reais vozes as entenda,

Como todas as coisas outras
Que são exteriores às roupas,
As esferas sob meus pés dois...



Joel Matos (02/2016)
http://joel-matos.blogspot.com

Comentários

Jorge Santos disse…
obrigado (talvez seja altura de abandonar aquele outro circulo de lusofonia e ficar por aqui mesmo e só)
obrigado amiga
De verdade eu também penso assim...mas eu sempre volto pra lá...
Estou a tentar visitar todos os seguidores do Peregrino E Servo, pois por uma acção do google meu perfil sumiu e estava a seguir o seu blog sem foto e agora tive de voltar a seguir, com outra foto. Aproveito para deixar um fraterno abraço.
António Jesus Batalha.

Mensagens populares deste blogue

Em tempos quis o mundo inteiro

Em tempos, quis o mundo inteiro, Hospedado no peito, redondo e obeso, Perpétuo como um relojoeiro, Um peito de soldado raso, desconhecido...
Era criança e havia amar, Eternidade, justiça e razão... E um lar... um veleiro vulgar, E um timoneiro sem tripulação.
Hoje sou ilícito e estrangeiro, Partido fui; metade do coração, eu entendi... E o mundo que já cobicei como o ouro, era outro Ficou perdido, em nenhum outro lado, fora d’mim.
Acabei por fim, a não pensar em nada, Até que acabou o meu tempo, Escondido numa caixa enganosa, redonda… Num habitual descontentamento.
 Eu...a quem o mundo não bastava, (Se nem eu, nem ele sabíamos que o outro existia) Agora, pouco do que tenho e sinto, é seu... Nem isto que escrevo, indefinido e a eito, sem serventia...
Basta hoje o dia não ser tão feio, Pra ver no céu fiel a alegria que sinto ainda no peito, Porque na terra, o que esperava não veio, A minha alma foi sepultada num árido e seco deserto.
Joel Matos (04/2011) http://namastibetpoems.blogspot.com

Pareces tão eu ...

Pareces tão eu
Que me aconteço,
Que me perfaço jamais
Da imperfeição do mundo,

Pareces tão eu,
Em tudo que não corrijo
E do que serei sou feito,
Injusto como muitos,

Vim ver o quanto
De quem sou
Eu mesmo, 
Ou os outros

Objectos inexactos, 
Todos eles
Parecidos comigo,
Pareces tão eu

Quanto me convenço,
Quando me aconteço,
Quase me perfaço,
Pois nem só o tempo

Espaço depende 
Da matéria, 
Mas o conceito
Parece tão meu, 

Justo quanto outros...
De resto os dias 
São como são,
Uns são acontecidos,

Outros passam acontecendo
Constantes de amanheceres
Que acontecem lado a lado,
Na geografia que somos,

Mapas de tudo, mapas mundo,
Tão curta é a vida e a dor
Que dura e se faz tempo, 
De resto os dias

São como são,
Uns são acontecidos,
Outros acontecimentos,
Passam pra sempre

Sendo 
E acontecendo,
Pareces tão eu,
Que me aconteço

Acontecendo ...




Joel Matos (06/2016)
Http://joel-matos.blogspot.com


Soror da dor

Quando o soro do amor 
Não vem sincero nem dentro
Dos gestos que usamos pra fazer

Cre,r nem nos braços ao menos,
Se sente no roçar dos lábios 

Que temos na verdade, 
Pouco pra dar 
Ao outro
Ou nada sequer

Senão vácuo, soror habitual da dor ...



Joel Matos (1/2017)
http://joel-matos.blogspot.com