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A mostrar mensagens de Setembro, 2011

Entre o ser e o defeito

Se eu pudesse ter no ser, o que não cerro De facto no peito. Inquieto e fraco, Não trairia na consciência, um sonho outro, Quando sonhava um sonho ilógico
Em que não disfarçava o que sentia. Tinha fé, confiança Em mim e num desvairado céu em arco, Na distancia verde/anil e autêntica, Mas no fim dele, não encontrei
A ponte que, dizem-da existência Ter a resposta, nem o festim da dita… Aguardo ainda o dia de partir, à rédea solta, Montado na minha outra alma favorita
E sentir-me como ela, peculiar… Mas sem lhe pertencer na veleidade. O que sinto agora, só de a pensar, Leva-me à visão fugaz, d´um ouro prometido,
Que não encontro no fundo do espírito. Acordo horas antes de expirar o meu tempo, Viajando seminu, sob uma abóbada cinzenta, Encerrado perpétuamente, entre o ser e o defeito.
Joel Matos (09/2011) http://namastibetpoems.blogspot.com

Proscrito

Dou por mim mendigo de porta em porta; como sem querer, Abro caminho numa estreita paisagem escrita, Não que seja uma perfeita, secreta, ou passagem metafísica, Como as passagens têm eternamente de o ser,
Mas a paisagem do meu ser é restrita e reescrita, A meu bel-prazer. Só pode ser consumada se acedida por dentro, Sempre por uma embocadura estreita.
Assim que passo por ela, sinto o coração doer, doer… E não sei d’onde essa dor resulta, Sei que vem do fundo da passagem do meu querer, Num silêncio frio de natureza morta.
E onde no vento alado se transporta Todo o desejo de encontrar em mim  a paz ? Vou por aí como uma vela que se apaga, Ficando apenas a paisagem vaga por traz.
Abro ainda e de novo a janela E de fora, apenas a noite, me fala De um invisível veto, Que cala tudo aquilo por que existo…
Joel Matos (09/2011) http://namastibetpoems.blogspot.com

Virgens da deusa "sida"

Viro todos os lados, todas as quinas, todas as ruas Onde sempre se escondem da vista, nos morros, Os prostitutos e os mendigos dormindo nas caixas De papelão amolecido em sonhos sumidos,
Vejo tudo isso, como parte normal da paisagem, Que sob um largo céu, algum dia, alguém esqueceu Ter sido tudo feito, à sua própria imagem. Gastei toda a fé, escavando um deus menor, mas que fosse meu,
(Mesmo que estivesse já acabado e extinto) E descobri que continuo, não só de olhos fechados, E assim alheio ao que não me importo, Como pra’ além disso, imito ao que aos outros
Parece mais certo, viro de todos os lados todas as ruas, E visto-me, também eu, da ilusão desaparecida Das “putas” das ruas mais escuras, fundidas Na palidez do luar, como se fossem virgens da deusa “sida”.
Joel Matos (09/2011) http://namastibetpoems.blogspot.com