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Mensagens

A mostrar mensagens de Maio, 2010

memórias sem fim

Quero um navio só para mim,
Não daqueles que vão para as guerras,
Mas um com velas e mastros brancos,
Feito a madeira de cedro e rangidos secos,
Talvez guardem eles saudades das florestas
E persigam o perfume do capim,
Ou lambam do bojo a espuma julgando ser neve
Quero um navio com memórias d'onde vim.

Joel Matos
(2010/05)


http://namastibetpoems.blogspot.com

Toma,bebe...

Toma, bebe d'estas pétalas d’rosas
Soltas, frias, das pálpebras prosas,
Nem sei se seixos são, quantos
Flutuam nos desejos, de mãos e dedos.

Toma, bebe do meu falido copo que treme,
Que o meu mando tem da serra o cume e o termo,
Sendo, são cinzas ao vento e meu ermo.

Toma, bebe o que ainda encerro,
Em terras de pó e barro.

Toma, não temas o sorvo do cântaro escuro,
Até que, na míngua o convenças
Que é estorvo e turvo e por mais que o pises nesta,
É na terra da crença que o derrotas.

E são esses os motivos do nada e do tudo Que deves beber, mas bebe nas pétalas de ar lúcido, Bebe apenas o beijo que quieto nos meus lábios De água transparente viaja, viaja com destino Distante…
Joel Matos (05/2010) http://joel-matos.blogspot.com

Secreta viagem

“Mal fora iniciada a secreta viagem Um deus me segredou que eu não iria só.

Supondo ser a luz que Deus me segredou.” Despojei-me dos pés no caminho para ninguém ser E procurei ver o outro ente na escuridão virgem.

E ele era tão só tudo aquilo a que me não apego, Meu existencial perpétuo oráculo sem face, Olhando-me por detrás do lençol negro.

Pedi-lhe que me arriasse de seu jugo, No pó da estrada cova ou no cume do monte Abraão Sendo restos para abutre ou festim de falcão.
Joel Matos http://joel-matos.blogspot.com 05/2010