Zé_Luís-Filho...




Zé Luís Filho, Fialho
Pelo pai mas de mãe
Só-filho Zé, no cartório
Zé Luís filho ficou sendo,
De mãe solteira – Inês
Diz o povo que tinha
Outra alcunha mas ficou
Desde logo – a Pouca Inês
Zé Luís Filho da Pouca
Talvez por ser ingénua
Ou ter conhecido o Fialho
Filho da gente rica e “culta”,
De Estremoz a Vila Flor
Do Crato Aristocrática até
Ao fundo da braguilha
Que emprenhou a Bela
Inês esse era o nome dela
Antes do Fialho pôr
A pata nas virilhas, Bela Inês
– Boa como o milho..
Dizia o Fialho no Grémio
E os domingos na praça
pra quem queria ouvir,
– Boa na cama-
Zé Luís, Filho da Bela Inês
Cresceu seguro de si
Embora vivesse do lado de lá
Da estrada
Teve na encantadora mãe
Inês a realidade da alma
E as fontes que sorriam rosas
Do branco mais profundo
Que a natureza trazia no decote.

Joel Matos (10/2015)
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Há pessoas de linho-branco...














Há pessoas da constituição do linho,
Pessoas estandartes, pessoas bonitas
Nas arestas, outras no dentro, há pessoas
De ficção mas eu sou de ângulos iguais,
Rectos, um funâmbulo da compreensão,
Criei-me entre o abismo e a sensação
De queda, num espaço fixo, opressor…
Há pessoas da constituição do tecido
Que nos tocam suavemente como seda,
Absurdo é eu continuar vazio de formas
E cheio do nada sentir, que consinto
E conservo nem sei eu porquê, ou como,
Há pessoas d’linho branco

Joel Matos (10/2015)
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De-Louco...




De-louco todos temos um pouco, confesso eu
e mais ou menos uma centena de trinta loucos
nem mais nem menos que qualquer um dos outros,
mas da miséria por companhia, foge-se mesmo coxo,
Como de um mau professor de álgebra e tranca-se
a porta por dentro, não vá ela ou ele voltarem
depois, a pedir alívio e alimento de sequela
de vampiros de folk Romeno de mau gosto
Ou Shakespeare sem tino, pressupondo
o louco ser eu, seria mais prático e lógico
o louco ser outro, que eu não, mas de álgebra
sei pouco ou quase nada, sou o iconoclasta
Da reputação alheia, matemático de imagens
feias e disformes, cáfilas de pobres
Moldavos e Romenos com dentes podres, morenos
como eu, sujos e sem o Shakespeare por escolha
Excélcia ou vampiresca, loucos somos todos,
eu pouco, eu pouco…

Joel Matos (19/2015)
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Não é preciso pedir...




Não é preciso pedir perdão
Solenemente , basta um aceno
Mudo da janela, ou do coração,
Deixar o peito roçar o queixo,
Para sentir que somos perdoados,
Como os poetas todos deviam ser,
Mesmo estando errados ou não,
Se for preciso perdoamos a dor
Avessa, como se fosse a nós alheia,
Perdoamos até o próprio pensar,
Quando é negro e ainda perdemos
A mossa do queixo no nosso peito,
Pensando não ser necessário
Agradecer esse simples perdão…

Joel Matos (10/2015)
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Lembrar me veio...






Hoje mudei,
Hoje mudei de um outro que fui,
Para os lagos e florestas que sou
E a minha alma ficou jardim,
Definido de uma maneira
Não exacta e de uma forma
Que nada diz a outros, hoje mudei
Do que fui, para o que há-de vir
Em mim e não fazem menos sentido
Aos lagos ribeiros e florestas
Em si verdades e não promessas,
Hoje mudei de um outro que fui,
Para o pouco que me resta ser,
A parte essencial fica por dizer
Ou cobre-se sobretudo de efeito,
Sobrando a causa do que vou ser…
(E depois do que fui, o lembrar
Me veio…)

Joel Matos (10/2015)
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É hoje o dia...




Hoje é o dia da imortalidade,
Contra um fundo de oliveiras
Flores mortais e castanheiros,
Percebi o que me suscita
Vida, nada mais que viver
Como se fosse imortal
Por mais um dia curto
E celebrá-lo nesta poesia,
Porque hoje, é meu o dia,
E tanto, em todos eles moro,
Morrerei “sine die”,
Um dia qualquer outro…

Joel matos (27/10/2015
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