segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Pudesse estar eu, no caixão comigo ao lado...





Puder estar eu no caixão comigo ao lado,
Puder eu aceitar-me acompanhado,
Na clausura de uma caixa preta por uma mortalha
Branca e outras coisas de pouca monta e ruim escolha,

Minha alma vive exilada do meu ouvido,
Tantas noites quanto perguntas, lhe faço dormindo,
Consciente de não ter vida na alma ou fala
Que possa sentir como d’ irmão ou fada  irmã na cela,

Pudesse eu olhar desta prisão de ar e hipocrisia, a essência
De mim próprio e alguém que diz ter toda a fantasia
Presa, da alma a outra ponta - Chamo-a e não responde
De volta e nem a linha, ao outro do lado nos prende,

Pudesse eu no caixão falar comigo como a um bom filho,
E o que falássemos servir pra mudar d’atavio e o feitio d’atilho,
Com que se prendem as almas imortais outras a outros
Tantos humanos, presos eles todos, por fios infindos e nós duplos,

De diferentes tons e nós cegos, quantos sem nós, quantos
Sem paz mas apegos, como uma mariposa, na ilusão da chama
A que se sentem ligados e mais se avizinham.
(Os sítios que assustam, têm lados outros que fascinam)

Pudesse eu no caixão, recluso morar, comigo ao lado.

Joel Matos (10/2014)


2 comentários:

Rebecca Rosenbaum disse...

hola Joel,
volveré !
Google no permite hoy alguna cosa. Google está hoy de pretencioso y no me deja activar el gadget de Seguidores.
Soy amante de la poesía sin ser poetiza. Solo lo que el corazón me dicta escribo.... sin muchos adornos^^

un abrazo de fin de semana^^

Graça Pires disse...

Um poema para reflectir...
"Os sítios que assustam, têm lados outros que fascinam". É bem verdade...
Abraço.

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