quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Atravessar-te em festa.



Há um tempo para tudo, um tempo de ter pressa,
Há um tempo para ser ousado e amar a valer
Há um tempo para usar do tempo com a força que temos
Há tempo de semear e um outro de colher
Chamar o tempo de usado é talvez pleonasmo

Mas se me chamas d’amor, chama-me depressa
Porque a tarde passa e a mesma hora não regressa,
Como tudo, ele é breve, devesse ter eu um tempo
Só meu, que andasse às avessas, quanto ao meu peito
Esse deveria atravessar -te, mas sem pressa,

Pois a vida bate breve, antes de deixar de bater
Serve-me a tua companhia na sala e no quarto,
Elegante e sempre em sal mel iogurte e beijos
A paciência é uma coisa tua com que conto
Ao certo, a minha boca nua nos cumes teus

Tesos, em que me perco por encanto ou deleite,
Pudor no coito? Pudesse tomar-te privativa geisha
E semear o teu do meu corpo em morno esperma.
Há tempo para tudo, para ser ousado e em festa

Joel Matos (02/2014)


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

JURO...





Ó hora do diabo! Deus do caos,
Entropia, desordem e denúncia,
 -Deixa que me roa nas entranhas,
A inveja e o meu nariz falhado, débil
Pode ser que a purga me alivie

Das fraudes e da raça doutrem
E o meu corpo depois lavrado de ódio
P’la lama p’la imundice, javardo
Armado p’la cobiça, procrie
Coisas belas que estas não, estas não…

Telas falsas que se leem e consomem ocasionais
Como sandes em janelas frias em renúncias
 -Deixa-me fechar nos olhos, o estar bem
E o falso bom agrado de doentias
Falácias crápulas trajadas de besta,

A morrer ao lado desta mesa
Falida do meio dia ás treze...desassossego!
 -Deixa-me na soleira do fundo
Na paragem nua da rocha e da lua
- Deixa-me berrar Confúcio, Alláh…

Ralhar às hostes de Barrabás e nas talas
Do carpinteiro mas atrás do destino justo
 -Juro, confuso… mas juro - hei-de riscar
Os muros das casas, os tramos e estremas
Que separam essas, destas febris entranhas,


JURO...

Joel Matos (02/2014)
http://namastibetpoems.blogspot.com

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Voltam não.


Quantos adesivos cobrem o nosso silêncio,
Quanto do sol-posto cabe num coração desocupado,
Quanta violência de minha boca já saiu,
Quantos anéis os dedos retiram em segredo,

Às vezes estremeço, perante os olhos mudos,
Fúteis, de quem parece vivo sem ser,
Ponho-me a acariciar o que me resta de gente,
Nos momentos a sós com os céus,

Conto quantos gestos por doar,
Nos rostos tristes de quem passa sem voltar,
Quantos olhares não se tocam,
Com medo de se dar a noss'alma toda,

Parece às vezes, que Deus me deu a outra face,
Pra habitar, por ter ruído o mundo,
Nas faces mudas em minha roda,
Não tendo outra forma de por mim mostrar desprezo,

Nem sei quantos passos perdi de dar em volta,
No santuário dos pedintes,
Quantos penitentes passos na realidade dei,
Inconsciente do caminho que tomarei de volta,

Às vezes, no escuro, tomo-me por um outro,
Que em minha alma existe, quase extinto,
Do qual esqueci o nome e o resto,
E sonho o sonho que este sonhar me deixa,

Somente…
Eu e o meu coração cheio de coisas esquecidas,
Contamos os dias, os passos e os caminhos feitos,
Que não voltam...voltam não.

Joel Matos (02/2014)

Às vezes

Às vezes, o que resta na mão nos foge, Tal e qual como num livro a palavra fim, Sinto um vidro fosco ente mim e essa luz Que ...