quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Feliz como poucos …



Nada há em mim maior que eu mesmo,
Vivem em nós temores de nós mesmos,
Todos falam e eu me calo, temendo repetir
-Me nos gestos gastos, excepto no bocejo
E na gaguez do uivo que emito, dos amargos
Lobos, estes representam a minha vitalidade
Perante a exuberância da morte, basta
Que me bata na porta menos grossa
E em Teixo para não me repetir no oco
Eco, na Faia, no falo, no veto, na Ágora
E em mim mesmo, quando falo assim,
Tamanho pequeno…
Sou feliz como poucos no mundo,
O riso da minoria satisfaz-me quanto basta,
Já que a lucidez não serve todos …
Somos poucos,
Mas não menos felizes que muitos outros,
(Se me faço entender)
Durmo em meios olhos,
Sonh’os inteiros, projecto-os em telas,
Para apreciação dos leigos,
Desde todos os ângulos,
Por todas as esquinas, todos os becos,
Recolho-os sem dor, em canteiros de flores,
Semeio nas veias e no olhar vazio
Dos múltiplos sonhos meus,
Sonhados-a-meias,
Pastel na cor…cinema em ante-estreias.

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