Bizarro






Uma bizarra noção, a da palavra dita,
Pronuncia-se e acabou, se a escrevo
Se fixa, se vale ou não, depende do
Compositor e não da validade oportuna

E do espécime, mas bizarras, quanto
Mais melhor e belas, as ditas por nós
E os silêncios pelo meio e dentro, graças
À voz, outra noção bizarra, fraca ou grossa,

Dependendo do conjunto, corpo e alma
E a faculdade de ouvir, a crença, se de noite
Quando sente ou nota o coração mais, 
Se dia, dita perfeita e com fé que haja

Alguém ou algum caminho tal como o meu,
Bizarro, igual a ninguém, apenas a uma
Lembrança que em minha pronuncia há,
Bizarra noção a da palavra escrita, 

Magnífica quando nem o entendimento 
Entende, quanto mais o coração que 
Não soa ao eu poético, mas à razão, bizarra qb
Para ser poesia e ilusão de pertencer a gente

Duma bizarra nação, a da palavra "ditada- 
-Por-mim" ...



Joel Matos (02/2017)
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o Outro






Na parede d'alguém
Escrevi, - eu existo -
Na parede da frente
Alguém mais baixo,escreveu:

-"Embora Zé, sem visto
Eu ninguém sou, nem
Aqui nem lá donde 
Vim e prond'me vou,

Nem o Cristo me visita,
Ou o outro indiferente,
Ostentando o crucifixo 
Torto" 



Jorge santos (02/2017)
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A onze graus da esperança toda




Faltam sonhos
Nas casas da esperança,
Voltam calmos quando
Deles se fala pra dentro,
A outra fase do silencio, 
É a lembrança partida,
Que destes tenho e dessa sobrevivo
Instante a instante, 
Momento a momento,
Quando os sonhos voltam aos anjos,
A casa dos sonhos é ao fundo, 
Na estrada
Para Entepfuhl, 
A onze graus North-West 
De toda a esperança e que me levará
Até ao fim do mundo ...



Jorge santos (02/2017)
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Sempre que desta falo ...





Sempre que desta falo,

Metade é dom do luar, a ilusão,
A outra, humana completa,
A fala, ela com que conto
Como e do que é feito o pensar,

Tal é o caso daqui e agora,
Os sentidos mais são sobra,
Atraiçoam a imaginação,
Como ind'agora ao sonhar 

Sonhos múltiplos disto pintados
De fresco e framboesa citrinos,
Todos em tons de laranja,
Omiti infelizmente do luar o tom

Metade e o espírito deste conversa
Não expressa, o que deveras 
Sinto na humana metade minha
Que resta, que fala sempre que

Falo e me detesta sempre que
Falo desta na voz que Deuses
M'emprestam e consentem em
Parte, a palavra pequena, pequenina,

Pequenininha, minha ...



Jorge Santos (02/2017)
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Se ...







Se fosse um axioma natural,
O destino meu seria d'ouro
E isso que digo verdade
Insofismável, não estaria

Inquieta tanto, esta alma
Minha escrita, pondo todas
As esperanças em sentir ser
Poeta de todos e não ilegal e igual

Enquanto vivo, pois sinto que
Vida é isto que escrevo e não
Apenas enredo sem actores 
A sério, senão eu actor e acto

Hipócrita. i'nda assim publico o que
Nem sinto, nem o choro assoma
Como alego e divulgo naturalmente
Tal como detergente ou sabão azul,

(Ao quilo, - 21 gramas-) ...




Jorge santos (01/2017)
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Eu erro o ar que meto...






Eu erro o ar que meto plo osso do nariz,
O mero deitar-me com o que fiz 
E levantar-me com o "se nada
Fosse", como se tivesse eu perdido

Todos os fios das madrugadas, o frio ar
Que não respiro nem lembro se,
E começo de resto zero outra vez,
Sou feliz pouco por isso, não lembro

O que perco e porque morro da fala
Todos os dias um pouco, fosse
Por medo de errar o que da sorte
Se diz e o esquecimento que me

Cobrirá, do que a terra molde
Em acerto e normalidade
Eu erraria o ar que respiro menos, forço
O fazer falsa parte daqueles

Que vêm simples, os símbolos de ver
Dos olhos cansados da Terra
E o que nela ocupam na largura,
Do peito ao dorso, esse não tão oco

Como meu, que o ouço não respirar,
Eu erro o ar que meto plo osso do nariz,
No meio da boca torta,(um pouco)..




Jorge Santos (01/2017)
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Coração de ninguém ...







Coração de ninguém,
Mas ainda assim de
Alguém que no lugar
O tem, sem saber que tem 

Um que é meu e pró que serve,
Talvez tenha eu um outro seu, 
E pense não ter nenhum, 
Embora não saiba o que é ter

O coração d'outrem dentro d'mim
Que não é do meu corpo, se o
Mesmo não sinto como
Meu, até na dor que

Outros têm e não eu,
No coração que não 
É meu, é do mundo inteiro
Coração que a todos 

Dei, todavia nem eu
Sei sentir como todos
Os outros que pensei
Nem coração terem,

Por isso dei o meu todo,
Ou quase todo, sem ter 
De volta outro ou outros mais
Doridos que esses, doutros

Que não possuo mais
No peito meu, tão morto, 
Tão curto, estreito e gasto...




Joel Matos (01/2017)
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Havidos sonhos meus ...




A mãe da terra e dos céus
É a polpa das estrelas vivas, 
Culpa minha ser infeliz,
Que me fiz dos astros sóis,

E o meu pensar rasteiro
E o futuro preto como breu,
Acabados sóis negros,
Meus nervos e vísceras,

Viúvas negras do espaço,
Frias como meus passos
São, culpa minha sim, ser
Filho das estrelas activas

E eu não e eu não e eu 
Não. A mãe de todas as terras,
È o não fazer noite no coração
Das estrelas que cintilam,

No meu quarto, do tecto falso
Quando olho com escuros olhos,
Os havidos-sonhos meus ...




Joel Matos (01/2017)
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Cuido que...







Cuido que,

Cuido que sou das lágrimas amo,
Quando estas de mim são donas,
Meu coração de pedra-pomes,
Salvo o rins que pinto de tinta,

Quando bebo uns goles d'absinto,
Pra não lembrar de que pedras,
Sou feito e se me sinto invicto,
Quando bêbado dum litro mas en'pé,

E glorioso que nem Baudelaire
Depois d'almoço num "Tavares-Rico"
De pedra-gume e granito...



Joel Matos (01/2017)
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Orgia de terras estranhas ...





Orgia de estranhas terras,

Enfrento uma orgia
De terras estranhas
De pedras e lama,
Em frente nada há

Do que havia, escombros
-Com o vento mudou
Tudo o que acreditava
Como sendo Deus a Palavra,

Enfrento uma orgia 
De terras que não crescem
Flores nem frutos,
Que não me reconhecem,

Mais o que construí justo,
Rente a um muro imberbe,
Onde albergo e meu albergue
Em chamas ...




Joel Matos (01/2017)
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Reis, Batalhas, Elefantes ...





Reis batalhas elefantes ...


Acontece que vim com a nómada
Profissão das aves, pernoito enfim
Saudando a lua suavizando o vento
Com o azul do céu quando há tempo ...

Bom,acontece que vim ao sabor
Do voo e das aves que tenho dentro,
Sonho lugares comuns sendo senão
Sons e sílabas com que convenço

Os espíritos a consentirem que os abra 
Sem me ferir demasiado com
Reis, batalhas, elefantes ... 




Joel Matos (01/2017)
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Estórias de gente





As histórias devem ficar para trás
Para que não se confundam com o 
Tempo de hoje, tal como os sonhos
Se devem manter no coração para
Que não saiam quando respiramos

Como acontece agora,requer treino
E acreditar que temos dentro uma
Das maiores soluções pra felicidade
Do Homem quando falamos de ilusão
Da boca pra fora, ao respirar poesia

E como esta entra nos pulmões da gente,
Temos pra isso de estar atentos aos sons
Das asas passando de trás para a frente,
Como estórias de encantar tanto a gente.
As histórias devem ficar para trás




Joel Matos (01/2017)
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Cama no chão






Quase a minha cama
No chão, quem dera
Não ser de cimento 
E a noite quase dia

Pra que se anule
Esta vontade de ficar
Por tudo e fazer-me
Ao céu com tudo quase

O que acontece de novo
Por já ser de dia
No chão tijolo burro
Da minha oficina

De "mago de vontade
Pouca", quase cama 
Na sala do pouco
Amar-me-eu-não

Faço da cama minha, 
Esse duro chão cimento...




Joel Matos (01/2017)
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Riqueza de palhaço




Maior que riqueza é quem ser ...
Menos que rico, só eu consigo ter 
E sorriso de palhaço em circo de pobre


Joel Matos (01/1017)
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Soror da dor




Quando o soro do amor 
Não vem sincero nem dentro
Dos gestos que usamos pra fazer

Cre,r nem nos braços ao menos,
Se sente no roçar dos lábios 

Que temos na verdade, 
Pouco pra dar 
Ao outro
Ou nada sequer

Senão vácuo, soror habitual da dor ...



Joel Matos (1/2017)
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Há, de versos tantos ...






Há, de versos tantos,
Quanto estrelas no mar há,
Caminho por entre mar
E céu e esqueço quão

Presos ao chão sou eu
E os versos ainda mais
Fundo que em mim
Me pesam como pedras 

Com pedras dentro,
Sendo de barro o barco
Os versos templos,
Tantos quanto no céu

Acreditava ser de luz
Os pontos, em ponto de
Cruz desenhados
Por alfaiates distantes,

Há versos tantos,
Quanto realidades várias,
Deixá-los ser verdade
Ou ponte, nome completo

Depende da vista
E do que é feita,
Porque uma coisa é o olhar,
Outra o alçapão do tecto,

A telha, se é de barro
Seco ou vã, aberta ao tempo
E à visita de qualquer 
Um Deus,

Ou da albarda de um burro 
Manco e sem alcunha
De égua ou pai-de-santo, 
Há, de versos tantos, 

Quanto nos astros, pintarmos
Horizontes e universos 
Invulgares, orgásmicos,
Moleculares...



Joel Matos (01/2017)
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Aos poucos






Muito pouco ou quase nada desta Terra turva eu sou,
Simplificando, tenho um-não-sei-quê que conjuga
O quê sonhado com o que hei-de sonhar e porquê
Sonhar, se sonho o que é deste mundo e não do reino,

Que rei sou, mesmo que imaginado ou sem futuro,
Muito poucos ou quase ninguém desta Terra me ouve ou vê,
Nada mais sou que um bocejo curto, em mim a vida
Roda breve quanto um pião sem fita nem consciência

Que o enrola e rola mas acaba por cair mais dia menos dia,
O sentido dou eu ao rodopiar que me afasta na viagem
Que é o sonho meu e a alma matéria sensível ao tacto,
Pelo menos assim penso ou sinto falsamente,

Transeunte "do-pensar-aos-poucos"...




Joel Matos (01/2017)
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Agonia tem nome de ópio




Agonia tem nome de ópio

Ódio tem nome próprio, agonia é nome de ópio ...

Festim pra uns poucos pra outros nem ração
Nem terras, 20/200 convivas ratos e podre, peste 
Vermes, festim pra uns pra outros porrada
E lama, matérias tão vulgares como o medo

E o escuro imenso, eu sou das moscas e das bestas
Sei da agonia, da miséria e da ignorância orgânica
De quem nem chega a ter de Humana a cresta
Por falta de nome próprio na língua falada dele

Que conte os sonhos dessa nação tosca, mista
Cabelo e dentes,sem áureos disfarces nem consolo
Apenas varejas e chagas de cães famintos
No pelo, hordas de bocas abertas,varizes de fome,

Olhos no chão onde se deixam pisar como beata
Mal apagada, larva de batata podre, peste
Ou pulga de cão sarnoso e besta de carga, frete.
Ódio tem nome próprio, agonia é nome de ópio,

Festim pra uns, pra outros negação e açoite,
Submissão e vício duro, morte. 
Agonia é o nome do próprio povo ...




Joel Matos (01/2017)
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Gritando




Em quanto vento se há-de 
Dispersar esta alma quieta
Ao ponto de perder dela
A lembrança toda e a dor

Que neta é minha e me contém
Nela e até na morte, a mais madura,
Aquela que da árvore tomba
Com a simples brisa, meu peso.

E, quando o vento há-de
Continuar a voz aos anjos
Eu continuo mudo e longe
De ouvir o oco de mim mesmo,

Mesmo pondo a tímida boca
Ao ouvido, nada ouço dentro
Que leve o vento algum dia
E ao que meço como se tivesse 

Comprimento medida e peso, 
Meu coração obeso, gritante
Gigante e incontido ...




Joel matos (01/2017)
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