quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Agonia tem nome de ópio




Agonia tem nome de ópio

Ódio tem nome próprio, agonia é nome de ópio ...

Festim pra uns poucos pra outros nem ração
Nem terras, 20/200 convivas ratos e podre, peste 
Vermes, festim pra uns pra outros porrada
E lama, matérias tão vulgares como o medo

E o escuro imenso, eu sou das moscas e das bestas
Sei da agonia, da miséria e da ignorância orgânica
De quem nem chega a ter de Humana a cresta
Por falta de nome próprio na língua falada dele

Que conte os sonhos dessa nação tosca, mista
Cabelo e dentes,sem áureos disfarces nem consolo
Apenas varejas e chagas de cães famintos
No pelo, hordas de bocas abertas,varizes de fome,

Olhos no chão onde se deixam pisar como beata
Mal apagada, larva de batata podre, peste
Ou pulga de cão sarnoso e besta de carga, frete.
Ódio tem nome próprio, agonia é nome de ópio,

Festim pra uns, pra outros negação e açoite,
Submissão e vício duro, morte. 
Agonia é o nome do próprio povo ...




Joel Matos (01/2017)
http://joel-matos.blogspot.com


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