quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Existem esferas











(The choir of the planets in the harmonic mundi)






Existem esferas sob meus pés,
Sinto vozes e rodas, creio serem 
Pertença de forças ou fadas do ar,
Qualquer uma ocultaria em si,
O que é a minha própria irmã gémea, 

Se a tivesse, ou o paraíso,
Existem esferas sob meus pés,
Estranho é aceitar como real
Esta ilusão de rodar com a
Atmosfera, se tudo o que rola

Sem rodar, são meus dois pés 
E em volta deles tudo parado,
Até o ar parou de viajar, viajando
Nas vozes que são em coro dentro
De mim e que mais ninguém tem,

Existem esferas sob meus pés,
Ao menos alguém me diga, 
O que fazem aqui e porque não 
As posso ver e perceber, acaso
No dia das reais vozes as entenda,

Como todas as coisas outras
Que são exteriores às roupas,
As esferas sob meus pés dois...



Joel Matos (02/2016)
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O salto







Olho o abismo de tal lado
Que do outro, solto, salto
Pro impraticável, resoluto
De poder e de concorrer

Com a sorte, sem acordo
Olho o abismo em torno
De mim todo e súbdito
Do fundo que houver,

Se houver fundo, num
Declive que é o meu
Sentir solto e a saldo
E aí eu salto de patamar

Em patamar e salto
Para o lado que penso,
Ser meu e o meu pensar
Voa de andar em andar,

Olho o abismo desse lado,
O tal, mas deseja o outro
Nem eu sei, ou ele porquê
porque infeliz acordo

Fiz eu, com o inferno
Sem fundo e sem argumentar
Nas minhas preces
Por tal, um pacto pouco exacto,

Com o Demónio em mim
À solta ...



Joel Matos (02/2016)
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Da paixão







Inda trago a paixão 
Dos primeiros gansos,
Inda trago o sensivel.
Do primeiro acto,

Da manhã, do regato,
Da fonte fria, inda trago
A paixão do manancial,
E da tentação de beber,

Apesar de não ser sede,
O que faria sem ela, 
Não sei, só sei que 
Viver sem, é impossível

A sede da paixão parar,
O beber nas fontes,
Quando dos gansos,
O grasnar de novo ouço,

Renova-me a sensação, 
Do primeiro acto,
Prova que ainda o trago
Comigo e da paixão

De vida que não abdico,
Por nada ...




Joel Matos (02/2016)
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A lembrança do que vou pensar






Tenho momentos em que até a luz 
Do dia me diz ser noite cerrada
Porque me doi sem razão cada som 
E o dia e o ruído e o nada e a lembrança,

Tenho momentos em que 
O que deveria fazer sentido não faz, 
Pois nem mesmo o conceito de viver, 
Este passou a ser um castigo, 

Um cansaço que recomeça ao acordar,
Acho que mesmo morrer não consigo, 
Por mais que queira, 
Não por que tenha motivo, 

Penso que nada me motiva nem mesmo 
O medo nem mesmo o nada fazer
Tenho momentos em que acordar 
É uma desilusão,

Um suplício, uma escada de enrolar
Sem degraus mas em gumes de faca, 
Em que caio todos os dias por decreto 
E saio da cama a medo, 

Mas sem motivo para estar deste lado 
E acordado
Quero estar dormindo, porque 
A realidade me corta de baixo-a-cima,

Não é potável o sonho, nem o vinho 
Que bebo, a minha alma é um "cadinho"
Do laboratório-da-peste, 
Considero dever buscar um sentido 

Para o que faço, 
Diferente do comum movimento dos astros,
Da rotina, do cansaço
E da lembrança do que vou pensar ...



Joel Matos (02/2016)
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Na beira d'onde moro






Aqui, na beira onde moro
A pele das mãos é púbica,
Quotidiana,tantas vezes
Besunto de banha bera

O próprio corpo, à beira
Do abismo onde moro
E sobrevivo ao cuspo,
Quem vem pinta meu

Rosto e envenena a água
Que bebo p'las costas
Da mão dextra que m'resta
D'engodo...



Joel Matos (02/2016)
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Ego






Pra quem faz do ego religião
E os sentidos vira pra dentro
Da pele verde, espelho do que nunca
Poderá ser pra quem faz

Do ego religião, o tacto não
Dá prazer e o eco e a contemplação
Dos sonhos dos Homens todos,
O gozo de pôr as mão no fogo

E o doer que dá o amor grasso,
Pra quem faz do ego religião
Não há, nem penses, disso
Por grosso ou ao Quilo, o caldo

Com feijão manteiga que
Dantes era vendido na mercearia
Como se fosse mágico, à compra
Prostituta e má como o Ego "de ver"

De Shopping-Center, casas espelhos
Não sentidas com que se contentam
Multidões sem tacto nem a ambição
De quem pôs as mãos-no-fogo por gozo

E por haver quem faça dum caule as asas




Joel Matos (02/2016)
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Sonhar certo






Os tamanhos dos sonhos meus
São sempre os mesmo e
Perfeitos aqueles que me 
Lembram o que quero ver

Neles de grandeza, magia
E de valer a pena sonhar,
Por saber o tamanho certo
Que têm os sonhos e o

Feitio perfeito desta missão
Minha de sonhar acordado
E sempre, sempre do mesmo
Sonho, a metade que quero do

Sonhar certo, não o acertado.



Joel Matos (02/2016)
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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Iemanjá Rainha





De terra quero o perfume raso,
Familiar e chão no entanto pó dos
Lugares largos e comuns, cheiros
A barro d'onde vêm os sonhos bons

Da terra. Quero o meu sentir, só ele
Argumenta o que penso e conheço
Dos perfumes que estão mais perto
De mim, assim o cheiro a sal e menta,

A flor de laranjeira e romã e rosas,
De terra quero o perfume a fruta
Fresca,a tília e a ti. Porosa tu és,
Teu cheiro poderoso em mim

Só ele aumenta a sensação de estar
Perto e respirar o que não tenho
Tão certo eu assim de durar no ar
Que respiro, o prazer de teu odor

A mar e fonte. Da terra quero
O perfume de vida que certo eu
Suponho sendo, vindo do teu corpo,
Poderia ter na Terra o ar, cheiro

Suposto de Iemanjá Rainha, mar,
Sol-posto, menta, todavia poroso
Será sendo teu, Orixá de longo cabelo,
Rosto de Terra-Mãe, nosso chão-

-Mar...


Joel Matos (01/2016)
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Às vezes

Às vezes, o que resta na mão nos foge, Tal e qual como num livro a palavra fim, Sinto um vidro fosco ente mim e essa luz Que ...