Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens de Fevereiro, 2015

Saudades...

Saudades de tudo mais,
São coisas que invento,
Quando penso no que
Não esqueço, sem que
Saiba, do outro lado da linha

Da metade de mim, se
Saudade sente ou partiu
Sem dizer nada mais que adeus,
Saudade se sente, eu sinto
Que ouço, vindo nem de-

-Perto, nem de-longe,
No que penso por dentro,
Ser a saudade sem ir embora,
Como se fosse um abraço
Do monge do sol-pôr,

Saudade sem a ter, verdade
Mais longe que perto,
Como tudo o mais saudável,
Que inventei eu, que seria
Da tua ida embora,

Sem dizer nada mais?
Água vai, apenas saudades,
Em tudo iguais, normais,
Que invento da linha mora
Ao pavio, da sereia ao rio,

Pescadores sem fio,
Saudade de tudo, eu mais
Da paciência, da espera,
Da urgência, da falta, da pressa,
Da esperança...


Joel Matos (02/2015)
HTTP://joel-matos.blogspot.com

Pressa

Não tenho pressa,
A pressa é um apache,
Que me passa adiante,
E a mim não me apraz,

Embora ficar pra trás,
Não me adiante à presa,
Que nem tenho, por não
Ser capaz de ter pressa,

Sou capaz de sentir,
O que me interessa,
Mas pressa....
Tão depressa não,

Água na boca, perante
Um paladar, isso sinto devagar,
Uma limonada ou um absinto,
Uma chapada, antes de a levar,

Sem pressa pressente-se,
Quando a mão vai no ar,
E o copo quando cheio,
E cheira ao vício,

Mas como disse,
Não tenho pressa,
A pressa é o benefício
Do presente,

E eu sinto o futuro,
Como uma pedra,
Atirada no ar,
Não olho pra trás,

Nem escrevo romances,
De Tolstoi,
Sou Apache por inacção,
E por vezes Comanche,

Mas covarde não,
Covarde eu não.


Joel Matos (02/2015)

Ivan

Nada digas do Ivan, Que seja Terrível, Porque da fé se fez Afã e na fome a miséria,
-E interditos todos nós-
Nada digas, nem te tentes Do divã leito debruçar, Porque alegria é sã, E dormir um sexto disso,
-acredita em todos, não em mim-
Pra nada fazer bem, Por defeito ou teimosia, Eu sou o que de mim faço, Nada digas de infame,
-Mesmo que espelhos tu vistas-
O nosso terraço, Tem fissuras e as telhas Positivas são poucas, Temem o musgo que cresce,
Todas as estações do ano,
Mais, quando o inverno É Imprevisível e triste. Nada digas do Inferno,
Se nem Dante o viu, nem o verbo, O fim do mundo é uma auto-pista, Que em excesso de velocidade, Apenas se sente,
Do coração, na boca o dentro, Nada digas do Ivan,

No teu,meu povoado.

Na tua nossa rua há algo, povoado De um lençol regato e dum lago, Algo secreto, clandestino, privado Quanto de Bello a rua tua tem,
Quanto de vê-lo, morre em cada esquina um homem mau, Na tua rua há um novelo velho, que se tivesse a palavra Almada,
Seria modelo e Sena povoado, Ou cidade ou o meu cabelo, Morando nesta cidade sem fim, no fio do fim do mundo,
Na tua nossa rua há algo,povoado De esquinas, labirintos e jogos Que minhas palavras são lagos, Pouco profundos pra descreve-los,
Do chão ao cotovelo da rua, Do lago onde namoro o meu, Rosto narciso e posto ou Suposto ter palavras sólidas,
Que sejam elas o asfalto, Da rua do lago, no mês

A casa das coisas.

A causa das coisas não é a coroa da cabeça Onde moram e alinham, mas com quem as ama E se casam, o que nos custa, quando a cava aorta, As solta pra causas maiores, doutros ou doutrem,
Não admira chamar-se de milagre ao multiplicar Da transfiguração de ideias em cubos, arestas cores, Não sendo, nem vale a pena pensar nelas, pois Se sê-lo, é um círculo, uma ciranda redonda,
Sem pedra, a causa das coisas, até da erva, E de quem a ama como ideia, não como dogmas, Sensuais e metamórficos são, quanto mais Daquelas que se dão corda e vão, paralelas
Da nossa cabeça, pra outra e outra cabeça cava, Saltitando feitas piões, desses de rolar, barulhentos, Eternos, mas terrenos, como nós-outros, somos A soma de dois, o que nos faz humanos imperfeitos,
A causa das coisas não é a cova da cabeça, Como alguns alvitram e outros aventam, Apertando os estômagos e os capachinhos escalpes Ao olharem pra mim de lunetas, sorriem crédulos
Foi esse sorriso que me tocou e eu pensei

Lisboa Tejo, Cidade Beijo...

Quem me dera não ter saudade de mim
Tanto, quem me dera ter presa à cintura,
Essa cidade madura, só pra não ser furtiva
a Saudade, mais tarde, quando partir

Sem mim e for embora da vila cidade,
Cidade afora, cidade mágoa, cidade que
Trago presa à cintura, cidade Tagus,
Na ponta dos dedos, saudade de mim,

Táctil e afago do hábito e dum cego grego,
Quem me dera ter a saudade assim, aqui
Dentro, como um lego e reconstruir das
Margens o Tejo e a cidade beco la dentro,

A minha cidade tem um mar preso,
Esse mar se chama saudade, tem peso
A minha saudade ,magoa-me e a espera
Um contrapeso, gémeo desta alma d’paredes,

Que de saudade ter se cansa, cidade
Me acalma, cidade me amansa no fado,
Tenho uma cidade presa à cintura,
Tem uma trança Tejo e outra me chama,

Amante e dorme comigo na cama,
Pena eu, cego não a vejo, não a beijo,
Cidade dispersa, cidade eu te beijo,
Desperta-me desta cegueira,- oh Tejo,

Pra ver o oceano imenso, lá longe, lá fora,
Quando me for, serás flor da saudade lilás,
De…