terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Morar em volta de meus passos

                                                                                          (pintura atribuída a Adolf Hitler)





Tudo passa tão depressa
Que alma outrem nem pára
Pra chamar, ao passar p'la minha
Casa, estando eu morto pra vida 

Toda, sem mostrar a ninguém
Quanto estava,quando estava...
Conquanto tudo passa, sem espera
E sem esperança pra um morto

Que espera toda'vida pela estranha
Qual chama de morte e vazia,
A chamava de vida, da sorte
Pouca como qualquer outra

Sem causa, passa e não pára 
A esta porta e nesta fraca figura
Em causa, tudo passa excepto
A guerra galgando este modesto corpo,

Modesta a honra que na minha alma
Molesto e a dum transeunte que passa
Por passar, por minha causa chora
Sem me conhecer morto vivo,

Vivo morto se nem em casa nessa 
Vivo, mas onde tudo acha por bem 
Passar por passar, estando eu noutra
Parte, na porta que me resta galgar

Como um muro, pra murar em volta 
Dos meus passos por andar...





Joel Matos (11/2015
http://joel-matos.blogspot.com

1 comentário:

Jorge Santos disse...

Enfrento uma orgia
De terras estranhas
De pedras e lama
Em frente nada há

Do que havia, escombros
-Com o vento mudou
Tudo o que acreditava
Como sendo Deus a Palavra

Enfrento uma orgia
De terras que não crescem
Flores nem frutos
Que não me reconhecem,

Mais o que construí justo
Rente a um muro imberbe
Onde albergo e meu albergue
Em chamas

Doze

Doze -Doze nós, tem uma figueira Ao medir-se dentro de nós, em vidas Que a gente tem e não sabe explicar, -Doze é a di...