terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Pressa




Não tenho pressa,
A pressa é um apache,
Que me passa adiante,
E a mim não me apraz,

Embora ficar pra trás,
Não me adiante à presa,
Que nem tenho, por não
Ser capaz de ter pressa,

Sou capaz de sentir,
O que me interessa,
Mas pressa....
Tão depressa não,

Água na boca, perante
Um paladar, isso sinto devagar,
Uma limonada ou um absinto,
Uma chapada, antes de a levar,

Sem pressa pressente-se,
Quando a mão vai no ar,
E o copo quando cheio,
E cheira ao vício,

Mas como disse,
Não tenho pressa,
A pressa é o benefício
Do presente,

E eu sinto o futuro,
Como uma pedra,
Atirada no ar,
Não olho pra trás,

Nem escrevo romances,
De Tolstoi,
Sou Apache por inacção,
E por vezes Comanche,

Mas covarde não,
Covarde eu não.


Joel Matos (02/2015)

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