quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Lisboa Tejo, Cidade Beijo...








Quem me dera não ter saudade de mim
Tanto, quem me dera ter presa à cintura,
Essa cidade madura, só pra não ser furtiva
a Saudade, mais tarde, quando partir

Sem mim e for embora da vila cidade,
Cidade afora, cidade mágoa, cidade que
Trago presa à cintura, cidade Tagus,
Na ponta dos dedos, saudade de mim,

Táctil e afago do hábito e dum cego grego,
Quem me dera ter a saudade assim, aqui
Dentro, como um lego e reconstruir das
Margens o Tejo e a cidade beco la dentro,

A minha cidade tem um mar preso,
Esse mar se chama saudade, tem peso
A minha saudade ,magoa-me e a espera
Um contrapeso, gémeo desta alma d’paredes,

Que de saudade ter se cansa, cidade
Me acalma, cidade me amansa no fado,
Tenho uma cidade presa à cintura,
Tem uma trança Tejo e outra me chama,

Amante e dorme comigo na cama,
Pena eu, cego não a vejo, não a beijo,
Cidade dispersa, cidade eu te beijo,
Desperta-me desta cegueira,- oh Tejo,

Pra ver o oceano imenso, lá longe, lá fora,
Quando me for, serás flor da saudade lilás,
Desta saudade que imerso no tejo vejo,
Afogo o meu pensar e o meu sonho

D’amar e saudar a cidade que amo,
Num beijo intenso, cidade insigne, viola,
Cidade meu signo, meu cisne, tejo
Meu lar de amor, onde Tu és Gente,

E eu teu fado, só plo prazer de ser fadista
Da canção que és, Tu também Lisboa…


Joel Matos (02/2015)
http://joel-matos.blogspot.com

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