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Mensagens

A mostrar mensagens de Outubro, 2014

Com o fim de ser feliz.

Demiti a razão real, com fim de ser feliz Mas deixei um Gogol a cismar com os dedos Das mãos e não fiz o que me enunciei Ao maioral dos fracassados homens
Nada do que faço me faz o pensar gordo E não m’espanto como qualquer um, gozo Com a ciência como vício e a emoção, -“Coisa de moles”, que deveria “dar prisão”
(De ventre).Temerário por definição, Nas palavras que exprimem quem sou-não, Pois revolta-me ter, todos os dias de igual, A camisola e os botões da braguilha abertos.
Com o fim de ser feliz, tomei o café da manhã, Um expresso, (o melhor desde que me conheço) De braços abertos, entrei no obediente que sei existir Em mim e que me leva ao sétimo andar direito
Do prédio por acabar e o Senhor deixou por-bem Meio-aberto. Quem me conhece sabe que dedico O meu nariz a sondar comigo, o meio onde vivo, O que o cheiro me revela, torna-se ópio pego ao céu-
Da-boca e no umbigo meu e a razão da felicidade, Quer seja ou não perceptual ou comum extracto vegetal., Que da natureza fui buscar. Sou feliz porque nã…

Poeta em falta...

Esgotei o tema da sabedoria E a paixão deu em óxidos e corpos Fecais a boiar anónimos imersos no escuro, Pensamentos adúlteros, soltos
Queria ter meus escalpelos, Cavalos à solta, fatais Cascos e muito mais sal, Que um mar morto. Eu, em fim de vida,
Esgotei o tema a teoria e a textura, De que, o que na alma se faz, é d'ouro E repousa no meu coiro, ou escombro... Mas o vento mudou a fasquia
Que na terra estava pro tordo céu Ainda que, a franquia não... Não desacompanhe o razoável E reles, paralelo pensar, tenho
Meu, não me outorgo poderes Especiais, ou apostiços pelos, opto Pelo que sei, em detrimento Do que exclamo, rogo e do substituível
Sentido que possuo na manga, Eu manquejo, de uma manca perna ou pata, Que emprego quando não percebo Por onde anda a minha torda veia de poeta,
Em falta…
Joel Matos (10/2014)
http://namastibetpoems.blogspot.com

Pudesse estar eu, no caixão comigo ao lado...

Puder estar eu no caixão comigo ao lado, Puder eu aceitar-me acompanhado, Na clausura de uma caixa preta por uma mortalha Branca e outras coisas de pouca monta e ruim escolha,
Minha alma vive exilada do meu ouvido, Tantas noites quanto perguntas, lhe faço dormindo, Consciente de não ter vida na alma ou fala Que possa sentir como d’ irmão ou fada  irmã na cela,
Pudesse eu olhar desta prisão de ar e hipocrisia, a essência De mim próprio e alguém que diz ter toda a fantasia Presa, da alma a outra ponta - Chamo-a e não responde De volta e nem a linha, ao outro do lado nos prende,
Pudesse eu no caixão falar comigo como a um bom filho, E o que falássemos servir pra mudar d’atavio e o feitio d’atilho, Com que se prendem as almas imortais outras a outros Tantos humanos, presos eles todos, por fios infindos e nós duplos,
De diferentes tons e nós cegos, quantos sem nós, quantos Sem paz mas apegos, como uma mariposa, na ilusão da chama A que se sentem ligados e mais se avizinham. (Os sítios que assustam, têm lado…

Sem Dúvida...

Sem dúvida,
Podemos ser artificio  de Deus mas dentro de nós, Construímos artificialmente quem somos, Damos legitimidade a um ser, que chamamos  “EU supremo” Oficialmente, nada tememos, senão amargo, dor e o amor q.b…
Quando calha, esse amor pode ser triste, como a fome Dele, pode ralhar, sem falar, pode até matar, Nem sei do que falo, nem sei o que sinto, Quando do instinto, só fica tristeza e ínfimo vazio,
Nem sei se existe na natureza, outro amor invicto, infinito, Tal como no coração humano, incrível, -invencível até, Como se pudesse vir dos céus, a formula ideal, final Mas… amarga desilusão na jornada do homem feito,
Quando calha o Homem pode ser general e fera, alquimia, Mutilar a alma, eliminar, imitar um drama negro, desapegar Os elementos que o destroem e consomem, fere e fundo Como adaga maligna e uma medonha acha de guerra,

Medimo-nos em braças e em nós...

Se todas as fantasias são prodígios, A verdade, - Uma proposta da razão, Ao medirmo-nos em braças. O sonho, - Um castigo de quem sente Mais que todos, mais que muitos.
Nada digas, que me pertença demais, -Da verdade, - pois a mentira mente por si E, o que tudo o que entende, - Do tempo Que não é parte do equívoco, Reparte p’la metade a entropia, Entre mim e ti, tu e mim…
-Do esquecer que não é mais verdade, Nem menos da memória e da saudade Ou da vaidade vã ou do sentir menor Que o sentir do ser, que crê Ouvir no vento o doce falar e o porquê -Do existir, na pretérita pessoa, ela singular, (De dentro, mesmo de dentro dela)
Mentira é o que é, -o dizer por dizer Ao que tod’o vento preso vem, O vento leva ou detém, (Em mim está a mentira Eu bem sei.)
Dize das coisas, que entre ti E mim valia, Guarda todas, por bem, (São doces palavras, doze)
-Doze nós, tem uma figueira Ao medir-se dentro de nós, em vidas Que a gente tem e não sabe explicar.
-Doze é a distância do braço Iguais de uma à última cadeira, De ponta a pon…

É desta missão de cifra que sou e padeço...

Minha simplicidade veio e acabou, Não me brindei brinquedo, bar fronteiriço Doutra lógica dimensão a que não vou. É desta missão de cifra que sou e padeço
É dela e do epígrafo que me meço, pensá-la É imaginá-la de dentro, soo-me a desfavor do projecto, Como uma leal bofetada a ressoar em pleno Peito, lenta e repetida, autentica, crível
Creio-a real e é-me devido crer no que acaba (Temporário sacerdócio de existência do ser) A minha simplicidade veio e acabou. Sem facho, Estive corpo presente no santuário, me cerca
A hora de pertencer à intenção que inspiro. Sinto No despido corpo, em tudo igual ao pó, eu só. Reconheço a loucura só de a ver sorrir, pelo tom, Que chorar me faz falta, por cínico que seja eu,
Sei que choro e acabo esquizofrénico d'o sentir Mesmo que o meu chorar seja a rir do afinal Das coisas que, nem têm sentir, apenas conveniência Meias, entre lidos sinais, ilusão provada do meu pensar.
(É desta missão de cifra que sou e padeço…)

Joel Matos (10/2014)
http://namastibetpoems.blogspot.com

morcego ou gente...

Tenho a alma perdida, insatisfeita tanto Como a noite alonga o que não sei, Ata-me ao defeito que sou todo Eu, à nódoa, ao incompleto, à coisa,
Ao morcego. em gente.
Por isso e como a noite é longa, sei O quanto eu espero desperto, Por tudo o quanto não sou, lamento Noite adentro e confesso-me morcego
Não gente. Confesso que,
Ao certo nem sei se durma de vez, Ou se estarei acordado infinitamente, E atento, ao que não sei, nem a noite diz:
-Morcego ou gente
Não digo mais nada até ver o que acontece Ao que digo sem falar comigo de frente.
(Eu, morcego de gente)
Hoje, nem por nada quero agradar, Nem pela vontade, nem pela verdade, Nem nada de novo tenho pra dizer Na verdade que nem vontade tenho,
Nem de morcego nem de gente,
Por isso não digo nada até ter-me, Frente a frente na noite (de novo)
Morcego ou gente…mostrengo  em gente…


Joel Matos (10 /2014) http://namastibetpoems.blogspot.com

Tida...

Quando olho para mim, de cima de meus passos E’ que sinto as mágoas e percebo A razão deste existir nascido anão, junto ao chão, Da azia e da sensação de respirar,
Tão parecida com o medo de morar No dia a dias da vida, de existir, se deixei Pra traz a alegria de ser criança, A aldeia dos meus caiados traços...
Não, nunca olho para cima não, Porventura não reparei, Se sou eu, quem se senta nos telhados Ou nas tábuas e nestas ripas cortadas rente,
Nos campos cansados de pertencer À fadiga e à dor da sua gente. Quando olho, por cima dos meus passos, É que percebo, a dor que é partir,
Do ar que respiro, pra outro Que nem a mim me pertence, Nem foi pra mim, talhado Por machado algum, perecido ou criado,
Sou filho de terra pobre e fendida, Não sendo fraco nem forte, sou vida Duma casta nobre e diferente, chamada d’alma Gentia, que cresce, cresce pla Arriba acima.
Perene, assim haja não outra vida em mim, Como esta eu tenho…tida.

Joel Matos (10/2014)
http://namastibetpoems.blogspot.com