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A mostrar mensagens de Dezembro, 2014

Por'ti posso ser tudo...

Por’ti, posso ser tudo ou pouco, Posso ser o tal ser ou vulgar saco, Posso levar o que não acarretei E o que esqueci de sonhar, nem sei, Se trouxe ou consumi,
Pra que a esperança se não me acabe, Já que sensação de a ter, no meu bolso Não cabe. Pra’ti, posso ser tudo, Invisível ou puro empecilho, Ter caído ao nascer
Causa de suicídio, vasilha, Teu chão com meu brilho, Mas não sou tudo, nem ninguém, Sou, -a desfavor de mim mesmo-, Catastroficamente incómodo,
E isso a mim, sim; a mim me dói, Mais que tudo o que possa doer, No lote que deixo, meu sem ter Natural semelhante ou igual, Pra que me consiga explicar e a sorte,
Se soubesse compreender a natureza Explicaria a justeza de mim

Quando calha...

quando calha o amor pode ser triste como a fome
pode ralhar sem falar pode até matar
nem sei do que falo nem sei o que sinto
quando do instinto só fica tristeza e vazio
nem sei se existe na natureza amor invicto
tal como no coração humano, incrível
como se pudesse vir de Deus a formula
amarga da desilusão do homem no imperfeito quando calha o homem pode ser genial
mutilar a alma imitar como em drama
os elementos que o destroem e consomem
como uma droga maligna e uma medonha acha empunhamos o amor da mesma forma louca
insana e ao mesmo tempo suprema
como só o ser humano com um coração perene
que sempre se renova e aprende quando calha o amor pode ser prova
que o homem como Deus Igual …é grande
eu sei do que lhes estou a falar
O Homem é parecido em tudo comigo e contigo Homem é sinónimo de AMOR e DAR (e perdoar)
Joel Matos (12/2014)

Sem ser me são, não sendo...

O meu mote é d’eu vir vindo, mudo Ao longo desta vida toda, sem vida, Nada do que vi me fez sentir viver mais vivo, E assim permaneço, sem ser, rendido
Até que encontre o mundo, de mim viúvo E eu morto na sorte una a que me uno, Deixei de contar comigo em pano de fundo, Do ser mudo, agora que, visto estou morto,
Como Deus uno- façamos juntos a estrada, Essa sem o limite das precedentes, Que servirá de modelo aos seguintes nós, Ainda que mal nos conheçamos,
Somos já poetas mortos, nós todos, Eu e o meu mote de vir, vindo morto, Até porque igual a mim nem tudo, nem ninguém Já que eu sou quem vou inté mais não,
Insto ao regresso que mortos não, Mortos são sendo, são fieis Não nós, tardios? Sim talvez, não cedam Não cedo eu e morto, só o medo
Só o medo da sorte vazia, crua, tardia.
Senão, só restará da vida o que acabou

O Anel dos Nibelungos...

Não canso de me montar nas pálpebras Cansadas e nas cerdas do cabelo, não canso De ser exigente no que escrevo plo cotovelo, Canso de ser modesto não querendo sê-lo
Não canso de arrepiar caminho nas costelas, De ser ferramenta de uma horta bera, Que só dá tabaco em vez de trigo amarelo Canso de transportar sonhos de taberna,
Que me não dão equilíbrio, mas vertigens, De uma lerda batalha que não é mas é comigo, Não me canso de pôr a alma de escrever, Ardendo como se fosse carne viva e é o fundo
De mim mesmo que escarro e vomito Num cadinho, qual não me dá nem o prazer, Nem o vinho fino, que é da memória A alma e a costela, de Aristóteles a direita.
Não me canso de desmontar as palavras Secretas que me dão vida e serviram A humanidade justificada em certa Medida certificou a vontade e a morte
Justificaram a fraqueza e a entrega O lado vazio e a hombridade cega