quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Por'ti posso ser tudo...



Por’ti, posso ser tudo ou pouco,
Posso ser o tal ser ou vulgar saco,
Posso levar o que não acarretei
E o que esqueci de sonhar, nem sei,
Se trouxe ou consumi,

Pra que a esperança se não me acabe,
Já que sensação de a ter, no meu bolso
Não cabe. Pra’ti, posso ser tudo,
Invisível ou puro empecilho,
Ter caído ao nascer

Causa de suicídio, vasilha,
Teu chão com meu brilho,
Mas não sou tudo, nem ninguém,
Sou, -a desfavor de mim mesmo-,
Catastroficamente incómodo,

E isso a mim, sim; a mim me dói,
Mais que tudo o que possa doer,
No lote que deixo, meu sem ter
Natural semelhante ou igual,
Pra que me consiga explicar e a sorte,

Se soubesse compreender a natureza
Explicaria a justeza de mim
O Cristo, soubesse ele porque existo,
Tão longe dessa natureza eleita,
Que consinto mas não habito,

Que sou, mas estou tão disto
Porque pra ti podendo ser muito,
Pra mim é igual a tão pouco,
Por isso vivo justo o que preciso, na pensão,
Entre a lida fama e o ciente que não…

Joel matos (12/2014)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Quando calha...


quando calha o amor pode ser triste como a fome
pode ralhar sem falar pode até matar
nem sei do que falo nem sei o que sinto
quando do instinto só fica tristeza e vazio

nem sei se existe na natureza amor invicto
tal como no coração humano, incrível
como se pudesse vir de Deus a formula
amarga da desilusão do homem no imperfeito
quando calha o homem pode ser genial
mutilar a alma imitar como em drama
os elementos que o destroem e consomem
como uma droga maligna e uma medonha acha
empunhamos o amor da mesma forma louca
insana e ao mesmo tempo suprema
como só o ser humano com um coração perene
que sempre se renova e aprende
quando calha o amor pode ser prova
que o homem como Deus Igual …é grande
eu sei do que lhes estou a falar
O Homem é parecido em tudo comigo e contigo
Homem é sinónimo de AMOR e DAR (e perdoar)

Joel Matos (12/2014)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Sem ser me são, não sendo...





O meu mote é d’eu vir vindo, mudo
Ao longo desta vida toda, sem vida,
Nada do que vi me fez sentir viver mais vivo,
E assim permaneço, sem ser, rendido

Até que encontre o mundo, de mim viúvo
E eu morto na sorte una a que me uno,
Deixei de contar comigo em pano de fundo,
Do ser mudo, agora que, visto estou morto,

Como Deus uno- façamos juntos a estrada,
Essa sem o limite das precedentes,
Que servirá de modelo aos seguintes nós,
Ainda que mal nos conheçamos,

Somos já poetas mortos, nós todos,
Eu e o meu mote de vir, vindo morto,
Até porque igual a mim nem tudo, nem ninguém
Já que eu sou quem vou inté mais não,

Insto ao regresso que mortos não,
Mortos são sendo, são fieis
Não nós, tardios? Sim talvez, não cedam
Não cedo eu e morto, só o medo

Só o medo da sorte vazia, crua, tardia.

Senão, só restará da vida o que acabou
E aí, sim… eu voltarei a ler, Malraux
Apollinaire do fim ao início
E o meu fiel passo, aprenderá do lento passar

A cor do fundo do passado,

E no fumo do decurso de velhos,
Como quando se lia num livro,
A felicidade de ter nos céus,  
Olhos d’outros, ideias soltas e velhas,

Velhas alquimias de dentro de mim tidas,
E agora sei ler e decifrar poetas deitados,
Mortos dormindo em mim, ancoro neles,
Saem dos olhos que me olham d’en’pé,

Soam a meu favor e dos meus sentidos,
Todos eles e do meu coração,
Sem ser me são, não sendo…


Joel matos (12/2014)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

O Anel dos Nibelungos...



 
Não canso de me montar nas pálpebras
Cansadas e nas cerdas do cabelo, não canso
De ser exigente no que escrevo plo cotovelo,
Canso de ser modesto não querendo sê-lo

Não canso de arrepiar caminho nas costelas,
De ser ferramenta de uma horta bera,
Que só dá tabaco em vez de trigo amarelo
Canso de transportar sonhos de taberna,

Que me não dão equilíbrio, mas vertigens,
De uma lerda batalha que não é mas é comigo,
Não me canso de pôr a alma de escrever,
Ardendo como se fosse carne viva e é o fundo

De mim mesmo que escarro e vomito
Num cadinho, qual não me dá nem o prazer,
Nem o vinho fino, que é da memória
A alma e a costela, de Aristóteles a direita.

Não me canso de desmontar as palavras
Secretas que me dão vida e serviram
A humanidade justificada em certa
Medida certificou a vontade e a morte

Justificaram a fraqueza e a entrega
O lado vazio e a hombridade cega
A verdade nem sempre clara, a compaixão
E o amor que não passam de lugar-comum

Nada desejo de novo que não seja
Ser eterno em algum lugar -mesmo de mentira-
Porque no meu corpo não resta
Mais a verdade garantida, entreguei-a

Quando me expus no que disse
E me afronta o que não falei
Do que disse na esperança de que
Me enganasse e de verdade começe

Mesmo sendo poeta desta mil gente.
Se algum dia lembrar além do que vivi, apresente
No que disse o que cansei de ser afim
Cansei de meu vinho, mau vinho

Cansei dessa casta da mediocridade, do dó,
Da crescente névoa, sem chão de roda,
Não canso de pedir ao destino o meu,
Anel postiço de volta.


Joel Matos (12/2014)

Às vezes

Às vezes, o que resta na mão nos foge, Tal e qual como num livro a palavra fim, Sinto um vidro fosco ente mim e essa luz Que ...