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Na extrema qu'esta minh'alma possui.




Se a alma fosse minha extrema
E eterna a clareza que cresce,
Ao longo de meus dedos,
Mesmo de olhos vendados,

O terreno ermo vizinho,
Seria planície, solo arável,
Mas por sorte, ou sem ela,
Nada sou, nem orvalho,

Quanto mais destino
Avençado, paixão fértil,
Sou um sem terra, grelo eunuco,
Onde o deserto é chão nu,

Fecham-se-me os olhos,
Suspendo a natureza esta,
Renego a álea e o caminho
Estéril do trabalhador

Sem trabalho, cansado
De atar a alma ao extremo
De si mesmo, como um mastro
 Na distante lua.

Gracejo com o espelho,
Inexplicável ilusão de velho,
Ou um sentido solto,
Que desconheço.


O que poderei dizer,
Pra  que me entenda
Eu, que nem falar sei,
E o ver-se me acaba

Na extrema qu’esta
Minh’alma possui.

Joel Matos (10/2014)

Comentários

ઇઉeu souvc disse…
«não sei se presto ou venço
nem sei que préstimo tenciona
o tempo me emprestar nesta Terra...»

Acho que ninguém vence e ninguém perde.
O limbo do eu- intelectual estaciona no centro desse nada
contrário da finitude,que no meu tosco ponto de vista é o up que muda todo
o tom de suas palavras,reverte para valores mais profundos e de
certo modo implicando um certo ponto de ousadia e diria até mesmo de entrega
para assim ser e fazer.
Ler você me fez lembrar de um comentário que fiz em retorno a uma amiga,que me mencionou a respeito da maiêutica:

«Sócrates - Foi o caso de Tales, Teodoro, quando observava os astros; porque olhava para o céu, caiu num poço. :
Contam que uma decidida e espirituosa rapariga da Trácia zombou dele, com dizer-lhe que ele procurava conhecer o que se passava no céu mas não via o que estava junto dos próprios pés.
Essa pilhéria se aplica a todos os que vivem para a Filosofia.»

Creio que ai tem em algum lugar misterioso das palavras um quê de volúpia no estar de volátil,Isso devido onde você afirma na questão do valor da busca pela purificação.

«em via de ferro dupla e curva
sendo eminente a catarse do espírito meu obediente não sabendo seu préstimo»

Mais outro obrigado,pela excelência desse aprendizado.

Ps:Quanto a parte...«de vidente de feira ladra»,achei muito show,fechou realmente com chave de ouro,pelo que representa e emite.

Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=283043#ixzz3KOfFdbFY
Ter Filosofia
Pode não significar
Viver para a Filosofia

Mas, temos de viver para alguma coisa
Acredite...temos de viver para alguma coisa

Mas gostei dessa sua certeza e dessa forma tão simples de dizer
Num poema tão belo a comentar!...

Maria Luísa
E gosto do que diz!

Ano Feliz!

Maria Luísa

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Hoje sou ilícito e estrangeiro, Partido fui; metade do coração, eu entendi... E o mundo que já cobicei como o ouro, era outro Ficou perdido, em nenhum outro lado, fora d’mim.
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