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JURO...





Ó hora do diabo! Deus do caos,
Entropia, desordem e denúncia,
 -Deixa que me roa nas entranhas,
A inveja e o meu nariz falhado, débil
Pode ser que a purga me alivie

Das fraudes e da raça doutrem
E o meu corpo depois lavrado de ódio
P’la lama p’la imundice, javardo
Armado p’la cobiça, procrie
Coisas belas que estas não, estas não…

Telas falsas que se leem e consomem ocasionais
Como sandes em janelas frias em renúncias
 -Deixa-me fechar nos olhos, o estar bem
E o falso bom agrado de doentias
Falácias crápulas trajadas de besta,

A morrer ao lado desta mesa
Falida do meio dia ás treze...desassossego!
 -Deixa-me na soleira do fundo
Na paragem nua da rocha e da lua
- Deixa-me berrar Confúcio, Alláh…

Ralhar às hostes de Barrabás e nas talas
Do carpinteiro mas atrás do destino justo
 -Juro, confuso… mas juro - hei-de riscar
Os muros das casas, os tramos e estremas
Que separam essas, destas febris entranhas,


JURO...

Joel Matos (02/2014)
http://namastibetpoems.blogspot.com

Comentários

Jorge Santos disse…
não conto no Outono com as cheias
porque que haveria de contar
se no Inverno de noites frias
ouço contos de encantar
e nas minhas veias correm fios de mar
e nadam sereias
poetanajanela.blogspot.com.br disse…
O veneno da raiva, do ciúme, não encantam,
nem tampouco são, canto de sereias.
Entorna o mel, Joel.
Eu, cá,
velha senhora,
velo e velo
sem velar nada,
como sempre,
transparente,
dando um tiro
no meu próprio pé.
Jorge,
Espero que também não estejas de férias.
Aguardo tua visita.
Meu boa noite virtual.

Jorge Santos disse…
Tenho um penedo em lugar de peito
E talvez nada tenha em volta dele
Que não seja este nó-de-cego
E tanto medo da corda não se partir
Sônia Brito disse…
Tempo tempo tempo.
Tem a água também. A doçura sem forma.
Nós, poetas, somos complicados.
No fundo, só queremos um cafuné gostoso do ser amado e ver um filme na TV.
Beijo.

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Em tempos quis o mundo inteiro

Em tempos, quis o mundo inteiro, Hospedado no peito, redondo e obeso, Perpétuo como um relojoeiro, Um peito de soldado raso, desconhecido...
Era criança e havia amar, Eternidade, justiça e razão... E um lar... um veleiro vulgar, E um timoneiro sem tripulação.
Hoje sou ilícito e estrangeiro, Partido fui; metade do coração, eu entendi... E o mundo que já cobicei como o ouro, era outro Ficou perdido, em nenhum outro lado, fora d’mim.
Acabei por fim, a não pensar em nada, Até que acabou o meu tempo, Escondido numa caixa enganosa, redonda… Num habitual descontentamento.
 Eu...a quem o mundo não bastava, (Se nem eu, nem ele sabíamos que o outro existia) Agora, pouco do que tenho e sinto, é seu... Nem isto que escrevo, indefinido e a eito, sem serventia...
Basta hoje o dia não ser tão feio, Pra ver no céu fiel a alegria que sinto ainda no peito, Porque na terra, o que esperava não veio, A minha alma foi sepultada num árido e seco deserto.
Joel Matos (04/2011) http://namastibetpoems.blogspot.com

Pareces tão eu ...

Pareces tão eu
Que me aconteço,
Que me perfaço jamais
Da imperfeição do mundo,

Pareces tão eu,
Em tudo que não corrijo
E do que serei sou feito,
Injusto como muitos,

Vim ver o quanto
De quem sou
Eu mesmo, 
Ou os outros

Objectos inexactos, 
Todos eles
Parecidos comigo,
Pareces tão eu

Quanto me convenço,
Quando me aconteço,
Quase me perfaço,
Pois nem só o tempo

Espaço depende 
Da matéria, 
Mas o conceito
Parece tão meu, 

Justo quanto outros...
De resto os dias 
São como são,
Uns são acontecidos,

Outros passam acontecendo
Constantes de amanheceres
Que acontecem lado a lado,
Na geografia que somos,

Mapas de tudo, mapas mundo,
Tão curta é a vida e a dor
Que dura e se faz tempo, 
De resto os dias

São como são,
Uns são acontecidos,
Outros acontecimentos,
Passam pra sempre

Sendo 
E acontecendo,
Pareces tão eu,
Que me aconteço

Acontecendo ...




Joel Matos (06/2016)
Http://joel-matos.blogspot.com


Soror da dor

Quando o soro do amor 
Não vem sincero nem dentro
Dos gestos que usamos pra fazer

Cre,r nem nos braços ao menos,
Se sente no roçar dos lábios 

Que temos na verdade, 
Pouco pra dar 
Ao outro
Ou nada sequer

Senão vácuo, soror habitual da dor ...



Joel Matos (1/2017)
http://joel-matos.blogspot.com