quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Inda que longe pareça.

Le Cirque bleuMarc Chagall (1887-1985)



Inda que pareça por Deuses viciada
Esta tragédia humana que mais valia ser d’Eneias
Opto por alcunhar “d’ópio de gente”
À poção fria dum Chagal injetado nestas veias

Embora em meus olhos brinquem
Gotas parecidas uma à outra às vezes,
Iguais às deles não serão, mal seria…
Eu, simples mortal, chorar como Deuses

Inda qu’abertas na carne p’lo tempo afora
Inda as Ágoras e nem Troia existiam
Estas falsas feridas sem ferida
Doem o mesmo no tempo d’agora

Revolvo a crusta enquanto penso
Tal como pensou aliás, Elias…
Parece gritar-me do túmulo e soa a ele,
Se não for, só podem ser nas praias, as sereias.

Tenho saudade dos ancestrais avós,
Que quebravam custódias e cadeias,
Inda que Héracles me pareça atroz
Alterou em ácido o sangue destas veias,

Inda que de longe pareça,
Aberto ao meu peito o saque do castelo,
Em que Deuses eram gente,
E gentes eram Deuses,

A minha esperança grande,
É que o templo, seja a meias,
Meio cheio desses célebres cultos,
Meio vago pra ter Afroditas,

Heras a se banharam,
Do que, do meu curto peito extravasa,
Por não saber mais conter, tal como sobraram
Deles, tantas mágoas, parecidas às minhas.

E tantas outras, dest’outra gente.


Joel Matos (01/2014)


quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Noção de tudo ser menor que nada.



Noção de tudo ser menor, que nada
Ser - A lua brilhando inchada,
O ventríloquo coração
A compensar a excessiva exatidão,
O embarcar com bilhete só d’ida,

Pro lado vazio dest’alma,
-Fugir de tod’esta gente,                                                        
Como sonho desinteressante,
Que mal se recorda,
Como um cão sem dono nem ladrado,

Fui passado sem presente,
Vagão passando rente
Ao suicida, a ironia do falhanço,
-Sendo eu, em tudo o que faço,
Causa/efeito do falso sentido.

Sou de tudo num dia e nada
Noutro, senão palhaço,
Desses a que se dão corda,
Na grotesca marcha do corço.
Sou forcado de curro e cornada,

O ventrículo e a laça aorta,
Servindo literáriamente de forca,
O sentimento de natureza morta,
Que foi no voar, uma ave branca,
Quando esta, o voar abranda…


Joel Matos (01/2014)

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Sonho de lugar nenhum.



Enquanto na atenção o respirar ponho,
Houvesse um bater de coração mais genuíno
Que o vento a soprar no cortinado,
Como um diapasão enquanto o respirar sonho:
 -Lado nenhum.

Preciso dele cercano, apontando
Pra mim, como quem diz vai…acredita
Como precisa todo o poeta finado
Qual cerca de extremos sus fraquezas 
Não trago uma lua vera porque me chamo,
Lugar-comum

Não trago uma lua de cera no bolso,
Nem das penas d’além coberto sou,
Quero almoçar o sol suposto, cru e em jejum,
Sem pressa e acordar desnuado ou nu,
De corpo descalço e em viva chama.

Em pensamento eu penso que serei o resto,
Senão dos pródigos sonhos que semeei. 
Sonhei um prado em extensão entre o brilho do céu
E o ermo do meu peito terreno e no suão vento-
Houvesse um bater de coração mais genuíno,

Suposto seria ter um pouco do meu…


Joel Matos (01/2014)


sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Quando a morte vier...




Quando a morte vier dos céus,
Roubar os sonhos meus,
Quero estar por perto,
Pra apontar o destino certo,

Aos sonhos que nem sonhei.
Céus que nem sonhos têm,
Sonham sonhos, como quem os tem,
Não importa se seus, ou se eu-lhos-dei,

Pois, quando a morte vier,
Impressa em letra d’Imprensa,
Toda a gente poderá ver,
Os nublados véus, da minha pouca clareza.

Os céus, são banhados de tédio,
E as letras mal fixadas,
Morrem cedo d’silêncio,
Com as estrelas a elas pregadas.

Quando a morte vier dos céus,
Quero ser pregado, (eu sim) p’ los dedos dos pés,
A uma pergunta capaz,
De ser respondida por um vulgar deus,

Desses…mudos quando pregados na cruz..
Quando a morte vier,
Trocarei os sonhos, por doutros
Sem uso, d’algum simples coveiro,

Não me sentirei de certeza vaidoso,
Mas jamais algum deus,
Hasteará nos céus, meus sonhos, pra seu
Único e exclusivo pouso…


Joel Matos (01/2014)

http://namastibetpoems.blogspot.com


(A minha mãe língua, mora no vento forte e só a sorte a amarra... e a morte... )

Doze

Doze -Doze nós, tem uma figueira Ao medir-se dentro de nós, em vidas Que a gente tem e não sabe explicar, -Doze é a di...