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A mostrar mensagens de Janeiro, 2014

Inda que longe pareça.

Le Cirque bleuMarc Chagall (1887-1985)

Inda que pareça por Deuses viciada Esta tragédia humana que mais valia ser d’Eneias Opto por alcunhar “d’ópio de gente” À poção fria dum Chagal injetado nestas veias
Embora em meus olhos brinquem Gotas parecidas uma à outra às vezes, Iguais às deles não serão, mal seria… Eu, simples mortal, chorar como Deuses
Inda qu’abertas na carne p’lo tempo afora Inda as Ágoras e nem Troia existiam Estas falsas feridas sem ferida Doem o mesmo no tempo d’agora
Revolvo a crusta enquanto penso Tal como pensou aliás, Elias… Parece gritar-me do túmulo e soa a ele, Se não for, só podem ser nas praias, as sereias.
Tenho saudade dos ancestrais avós, Que quebravam custódias e cadeias, Inda que Héracles me pareça atroz Alterou em ácido o sangue destas veias,
Inda que de longe pareça, Aberto ao meu peito o saque do castelo, Em que Deuses eram gente, E gentes eram Deuses,
A minha esperança grande, É que o templo, seja a meias, Meio cheio desses célebres cultos, Meio vago pra ter Afroditas,
Heras …

Noção de tudo ser menor que nada.

Noção de tudo ser menor, que nada Ser - A lua brilhando inchada, O ventríloquo coração A compensar a excessiva exatidão, O embarcar com bilhete só d’ida,
Pro lado vazio dest’alma, -Fugir de tod’esta gente,                                                         Como sonho desinteressante, Que mal se recorda, Como um cão sem dono nem ladrado,
Fui passado sem presente, Vagão passando rente Ao suicida, a ironia do falhanço, -Sendo eu, em tudo o que faço, Causa/efeito do falso sentido.
Sou de tudo num dia e nada Noutro, senão palhaço, Desses a que se dão corda, Na grotesca marcha do corço. Sou forcado de curro e cornada,

Sonho de lugar nenhum.

Enquanto na atenção o respirar ponho,
Houvesse um bater de coração mais genuíno
Que o vento a soprar no cortinado,
Como um diapasão enquanto o respirar sonho:  -Lado nenhum.

Preciso dele cercano, apontando
Pra mim, como quem diz vai…acredita
Como precisa todo o poeta finado
Qual cerca de extremos sus fraquezas  Não trago uma lua vera porque me chamo, Lugar-comum
Não trago uma lua de cera no bolso, Nem das penas d’além coberto sou, Quero almoçar o sol suposto, cru e em jejum, Sem pressa e acordar desnuado ou nu, De corpo descalço e em viva chama.
Em pensamento eu penso que serei o resto, Senão dos pródigos sonhos que semeei.  Sonhei um prado em extensão entre o brilho do céu E o ermo do meu peito terreno e no suão vento- Houvesse um bater de coração mais genuíno,

Suposto seria ter um pouco do meu…

Joel Matos (01/2014)

http://namastibetpoems.blogspot.com

Quando a morte vier...

Quando a morte vier dos céus, Roubar os sonhos meus, Quero estar por perto, Pra apontar o destino certo,
Aos sonhos que nem sonhei. Céus que nem sonhos têm, Sonham sonhos, como quem os tem, Não importa se seus, ou se eu-lhos-dei,
Pois, quando a morte vier, Impressa em letra d’Imprensa, Toda a gente poderá ver, Os nublados véus, da minha pouca clareza.
Os céus, são banhados de tédio, E as letras mal fixadas, Morrem cedo d’silêncio, Com as estrelas a elas pregadas.