quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Pudesse eu...


Pudesse eu, não ter laços
Ou esperança,
Cair no poço sem fundo,
Com que sonhava em criança,

Pudesse eu, na garganta sentir,
Torturante,
A dor no parir, perto ou distante
E o choro aflito dos qu’hão-de vir.

Pudesse eu, fazer
-“O que me dá na gana”,
Não morreria numa cama,
Escolheria viver enterrado,

Sentindo o peso da terra,
Amontoada na tumba,
E os caniços, varando-me a cara nua,
Numa sensação boa,

Pudesse decepar eu, os braços
E salvar a dor
Na alma,
Não seria estranha,

A sensação tamanha de sentir,
Que deveras sinto…

Joel Matos (10/2013)

Às vezes

Às vezes, o que resta na mão nos foge, Tal e qual como num livro a palavra fim, Sinto um vidro fosco ente mim e essa luz Que me ...