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Mensagens

A mostrar mensagens de Novembro, 2012

Sei que um demente não pode ser levado a sério...

Sei o que um demente melhor fazer sabe No papel homónimo do subúrbio meu, Periodicamente ausento-me, sem saber; O que pode nem ser totalmente mau.
Sei de um hiato enorme, convenço-me Que é escrita, essa linguagem complexa, Entre a veleidade e o não sei quê, que me consome, Como um ar doentio que me atravessa.
Convenço-me de que tudo faço sem estar presente, …Apenas contemplo de longe E parece fazer sentido, embora triste Na alquimia que se revela e emerge,
Não na emoção, mas no meu espirito intranquilo. Sei também de um secreto presságio, A que não sou alheio, mas dele nem falo, Só eu sei o medo que tenho de não ser levado a sério,
Pois o que um demente melhor sabe fazer de ruim, É mentir  e ser coroado Rei frente ao cenário de um império Terminado ou na beira do fim.
Joel Matos (11/2012)

Deus, que é feito de ti...

Deus, que é feito de ti, Se é que existes ou me ignoras, Pois quando dou por mim, Olhando o céu, sem estrelas,
Sinto um total desalento, Que não é( nem pode ser) humano E aí me sinto tonto, Amargo e insano,
Procuro e não te encontro, Fantasma hediondo ou monstro Diz-me, que é feito de ti, Mago, Magano ou batoteiro,
A alma a que me prendeste, Tresanda a peste e fel, Faz-me sentir repugnante, Gane como um perro fiel,
Presa na trela do eterno senhor. Deus, que é feito de ti, Diz-me por favor se este horror Que sinto é só por não me achar, nem a ti,
Ou é uma partida do Demo, de mau gosto, Do ermo, da infinita negação, Horror de desconhecer teu rosto, Horror de não ter o teu perdão,
Deus, que é feito de ti, Que tão frio e fundo é o vazio E o ódio que me corrói assim, Deus, que é feito de ti…
Joel matos (11/2012)

Pleno de Sonhos...

Do plano geral da minha vida, Excluí a clareza e embocei-me de símbolos Que sei claramente não dizerem nada, Como quartos de luas, frios e brancos…
No plano geral da minha vida, Tornei em erro crasso,                                                              A simples razão de dívida, Entre a noção de abuso,
Que tenho d’alma e d’outros, E as alegrias que cobram, Minha boca, olhos e ouvidos, E que, por falta de quorun logo sessam.
No plano geral da minha vida, Previ que, se alguém me abanasse, Dizendo: - (Acorda...acorda… Que desperto nada de mal te acontece.)
Ai…Aí eu continuaria dormindo, “O bom dormir” por não recear no escuro, Todos os sonhos desse lado do mundo, Que sendo dia claro, ignoro
E se desvanecem as infinitas visões Onde me sinto absoluto e todo… Em toda a vida que eu vivi, de ímpetos E paixões, não houve um só instante acordado,
Em que ouvisse um bater do coração tão genuíno, Como o sopro do vento lento no cortinado, (Diapasão baloiçado do céu que imagino.) …Enquanto estou dormindo…
Do plano g…

Lágrimas de Fedra

Choro lágrimas de Pedra por não ter fé no destino…




Eu sou aquele que tem destinos soltos, Todos me tocam apenas de passagem, Alguns têm emoções, cósmicos silêncios ou sussurram gritos Mas nem partilham totalmente da minha viajem
Ou da mesma vertical cidade. Mas mesmo assim deixam saudade, E um edital fixado na porta Anunciando a data da provável volta,
(Como se eu ainda estivesse por perto) Imagino que os vou regurgitando da minha cava boca Por me supor morto (Ou apenas pense que não estou por cá.)
Antes de partirem dão uma última volta E vejo-os fingir que me esqueceram já, Partem para uma causa justa, Abandonam o peso do arcaico eu mais ruim que há,
Deixam um autografo pregada na porta, Perguntam se quero que voltem, Na dita morada que tinha como certa Ou que se quedem por outra vã paragem.
Estará sendo insincera a minha alma indigente, Se não disser que choro lagrimas de Fedra. Assim como outro qualquer na barca dum Caronte Ou com um destino tão perturbado como “Frida”,
O mais certo será nenhum destes e…

Não paro, não escolho... e não leio.

Tenho um xis que me trai o pensamento E que me trás vedado por fora mas não por dentro “O mais certo é o bezerro ser de ouro e exótica a alma” Estranha ilusão assim... E que parodia sou"d’Esopo"
Que dói até a quem me dou, se me choro é porqu’sal ‘Inda se desprende d’est’alma e ignora que morro. -Sou misto do que desejava mais ser e daquele Meu corpo de fora, rodeando um tal’outro
Defunto, mais intrínseco, não (tão) real Como a face que vi ao espelho (copia d’cripta sem brilho.) -Nasceu de uma vontade curta e lateral No olhar nervoso desta amanhã, sem aparente explicação
-Define como sendo charneca seca o meu domínio, É ela que despovoo e depois lugar onde desembainho o coração E é aí que me dou, no horto que me dói em vão. No meu repto vem escrito bem explicito esse duro vazio
Declarado ao vento: - ainda pensei ser rei Do leste, dos esquilos saltitando e dos sonhos que sonhei. -Semeei-os nessa desvairada extensão Entre o brilho do céu e os termos que permito
E dentro deste meu coração “caracol …