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Como se fosse eu, do céu, seu dono.



Tenho pressentimentos tais que, se pudessem vê-los,
Acresceriam numa dimensão mais o caos imundo,
Como se fossem bruxedos banidos ou ogres velhos,
Saltitando p'ra fora de barrancos e do lodo.

Tenho pensamentos de sombras, sinas e sinais
Tais como aqueles que deram aparência de escuridão a Fobos
E tal como éter, entram e saem p’las narinas
Sem que possamos vê-los, mas senti-mo-los

Nas veias e nas fossas nasais, intensos, desliais…
Tenho pensamentos que não posso partilhar
Com os demais, por serem vagos como o medo nos umbrais.

Tenho pensamentos verbais, que se pudesse lê-los,
Alteraria sonho em pesadelo, fé em simples credo,
Com a sua horrorosa procissão de sapos,
Saltando pra’ fora das covas do feudal degredo.

Tenho pensamentos tão desusuais e inumanos,
Tais como aqueles que deram vida aos Elfos
E, como éter, entram e saem pelas narinas,
Sem que possamos vê-los…mas senti-mo-los,

Nas veias e nas fossas nasais, violentos, irreais…
Tenho pensamentos infernais mas invejo nos anjos, os pássaros,
Com as suas paisagens naturais, terrenas, acariciando-lhes
As asas, o dorso como se fossem dos céus, seus donos…

Joel Matos (12/2012)
http://namastibetpoems.blogspot.com

Comentários

varenka disse…
Pensamentos que me tocaram...Gostei imensamente!Beijos de Varenka
Parabéns pelo blog, abçs

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Em tempos quis o mundo inteiro

Em tempos, quis o mundo inteiro, Hospedado no peito, redondo e obeso, Perpétuo como um relojoeiro, Um peito de soldado raso, desconhecido...
Era criança e havia amar, Eternidade, justiça e razão... E um lar... um veleiro vulgar, E um timoneiro sem tripulação.
Hoje sou ilícito e estrangeiro, Partido fui; metade do coração, eu entendi... E o mundo que já cobicei como o ouro, era outro Ficou perdido, em nenhum outro lado, fora d’mim.
Acabei por fim, a não pensar em nada, Até que acabou o meu tempo, Escondido numa caixa enganosa, redonda… Num habitual descontentamento.
 Eu...a quem o mundo não bastava, (Se nem eu, nem ele sabíamos que o outro existia) Agora, pouco do que tenho e sinto, é seu... Nem isto que escrevo, indefinido e a eito, sem serventia...
Basta hoje o dia não ser tão feio, Pra ver no céu fiel a alegria que sinto ainda no peito, Porque na terra, o que esperava não veio, A minha alma foi sepultada num árido e seco deserto.
Joel Matos (04/2011) http://namastibetpoems.blogspot.com

Pareces tão eu ...

Pareces tão eu
Que me aconteço,
Que me perfaço jamais
Da imperfeição do mundo,

Pareces tão eu,
Em tudo que não corrijo
E do que serei sou feito,
Injusto como muitos,

Vim ver o quanto
De quem sou
Eu mesmo, 
Ou os outros

Objectos inexactos, 
Todos eles
Parecidos comigo,
Pareces tão eu

Quanto me convenço,
Quando me aconteço,
Quase me perfaço,
Pois nem só o tempo

Espaço depende 
Da matéria, 
Mas o conceito
Parece tão meu, 

Justo quanto outros...
De resto os dias 
São como são,
Uns são acontecidos,

Outros passam acontecendo
Constantes de amanheceres
Que acontecem lado a lado,
Na geografia que somos,

Mapas de tudo, mapas mundo,
Tão curta é a vida e a dor
Que dura e se faz tempo, 
De resto os dias

São como são,
Uns são acontecidos,
Outros acontecimentos,
Passam pra sempre

Sendo 
E acontecendo,
Pareces tão eu,
Que me aconteço

Acontecendo ...




Joel Matos (06/2016)
Http://joel-matos.blogspot.com


Soror da dor

Quando o soro do amor 
Não vem sincero nem dentro
Dos gestos que usamos pra fazer

Cre,r nem nos braços ao menos,
Se sente no roçar dos lábios 

Que temos na verdade, 
Pouco pra dar 
Ao outro
Ou nada sequer

Senão vácuo, soror habitual da dor ...



Joel Matos (1/2017)
http://joel-matos.blogspot.com