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A mostrar mensagens de Março, 2011

As palavras que me fitam

Nas palavras que me fitam, Sem pudor, Infinitamente complicadas, Abundam meadas,
Da minha ignorância, Deslembradas trincheiras, Em conflito E em guerras alheadas
Das minhas dispersas fronteiras E nos estilhaços Das vidas que nem vivi. A sombra,
Ameaça-me o pensar E a lembrança, Das coisas belas, Que não pensei;
Deixei-me guiar por completo, Como folha em branco E ao natural vento, Nele me espreguiço
E me rendo esquecido. Nas palavras que me fitavam, Só sobejo no que sinto, Morreu o que desconheço
Se tudo o que sei É o que procuro ser, Como se tivesse lavado delas o sentido Num rio de pedras quinadas.
Mais límpido e nítido, Definido como gelo frio, Incorporado como fluido nas veias. Confesso-me confuso
Porque quando estas me fitavam E encandeavam E controlavam as minhas ideias, Só elas me faziam chorar.
(As palavras que me fitam)
Joel Matos 03/2011 http://namastibetpoems.blogspot.com

ciclo fechado

Todo um ciclo foi concluído, Apesar de nem começo nem fim conter, Num momento pareço de consciência abonada, Noutro mendigo no escrever o bem parecer
E recomeço onde nunca acabo, cercado, esquecendo Que em rodo das paredes do Cárcere É sempre ao meu fracasso que Fedo Como ranço da carne a apodrecer,
E o que, no livro, acaba, aqui no enredo Não, em mim sim, barbeiro de mau carácter Morto por dentro e azedo a cada manhã que acordo, E sedo-mas, ainda assim prefiro acordar a temer
Não encontrar a razão no outro lado, E o pensamento claro, (mesmo a fingir) E que as minhas palavras digam algo, Que eu próprio saiba infimamente atingir,
Do que não acordar de todo, E ser um fulano com’outro qualquer, Com princípio, fim, e meio indefinido, Meio Esquisito, meio esquecido, passado,
Portanto, dou o ciclo por terminado A meu ver não digo nada diferente e quem me ouvir, Será apenas d’ouvido e duvido se por’í’ando, Ao vivo, ou a preto e branco, no sonho dum ser sequer.
Joel Matos (03/2011) http://namastibetpoems.blogspot.com