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Mensagens

A mostrar mensagens de Dezembro, 2010

Tenho saudades de quando ignorava que havia mundo…

A chuva parecia à pouco determinada a destruir tudo, Corriam pela rua com um furor apaixonado, o universo e ela. Cabe entre mim e ela um vidro e um cortinado, diria que o veludo Abafa a minha inveja, num aconchegante conforto de cela.
Tenho saudades de quando ignorava a chuva e ela a mim, Hoje, afoga-me em ciúmes sem cura e do tamanho do universo E não tenho mais a ilusão da’squina, ser a aresta d’algum jardim Imenso, esconde-se no sonho dela o meu conceito de extenso.
Consumo na inveja o detrimento das outras sensações, Como viajar ou ser lembrado, como um homem do mundo, Entre mim e a chuva havia um milhão de códigos, cores E sinais citando “Carlyle” e Entepfuhl, a estrada do fim do mundo.
A chuva parecia à pouco determinada a destruir tudo, E eu aqui sentado vejo-a partir, sem destino, com a lua cigana, Sou um mito de natal, madeiro sob o cobertor escondido, Não tenho mais o delírio da chuva, nem de humano a sanha.
Tenho saudades de quando ignorava que havia mundo…
Joel Matos (12/2010) Http://namas…

Nego que seja Arte

Que se dane o sonhar de dia, se o semblante do subúrbio sem face Marcasse o dia do meu desterro num obelisco tremendo, um mistério me cercaria de dia, Assim um muro me cerca de noite, o sonho afoita-se na frecha greta o dia todo,tod’o-dia-a’fora Porque minh'alma não partiu, ficou no corp'i'ruíu, ruindo, rindo constantemente de meu desalento E se hoje acordei em prosa foi porque os ecos se foram, dos sonhos, morreram… Porque as lágrimas de súbito secaram e das alas saíram Pétalas e acordaram súbditos sentimentos  do que eram, subterfúgios   Inconsistências e prosas incoerentes, sem arte. Dane-se o sonho, dane-se o dia, Se há-de vento o que há-de calmaria Há-d’a ser noite o mesmo que há-de ser d’ dia,de noite os meus olhos são palcos do que imagino De dia Iludo-os com irritantes aplausos e fecho-me de fechos eclair p’ra não entrar luz da rua E gritaria que me destrua. Dane-se o agreste frio celeste e a peste se os nossos corações de tão altos...sem quem os alcance, Caem em cacos...como …

Flores Indizíveis

Há flores indizíveis, da mesma cor da minha sombra, E quando as descrevo, são elas quem m’alembra, Que não tenho, nos olhos a mesma nitidez Do girassol, nem a solidez do chão, em que poisam cardos
Ou nas veias, a acidez da planta alcalóide, Apenas partilho, com a natureza, a vontade De me fazer dividir, pelos sentidos vasos, Se bem que não ache, a porta dos humanos
Órgãos e entrar na pele deles, (Homens) é bem mais difícil, Teria de pesar o juízo certo, ser d’eles uma indivisível ideia, Com’um sonhador falso, entre tantos, sem fantasia Nem assombro, ignorar a cor d’minha própria sombra,
A sombra das árvores ond’habito próximo. Há flores invisíveis e com elas tanto me identifico, Que, quand’as ofereço, esqueço que é o meu próprio Sangue ou veneno, que perco em quanto escrevo.
Joel Matos (12/2010) Http://namastibetpoems.blogspot.com

O fim dos tempos

-Fazem-me faltas as mutações de palavras montadas em esconsos alicerces dominando Babel, 
Do tudo ou pouco que li não entendi nada, talvez porque não fosse eu suficientemente intenso e apaixonado no íntimo, mas a leitura que fiz foi de único sentido e transverso, entrou mas não saiu potente no papel, (escrita algo ambíguo que não vos era destinado), e que ordinário envelope sem remetente encontrou em mim! -Sem a fórmula alquímica equivalente ao ácido realístico.   Fazia-me falta a inacção mansa, inesperada e o balanço harmónico no silêncio suspenso para não me encontrar em cada frase pronunciada e em cada crepúsculo, contorcido de desconfiança da rua deserta e medo da alienação e de todo o vivo quarteirão da vila, do arrojo e da vulgar opinião e depois ter de falar por falar do insucesso, do parentesco que cultivo com ele e com o meu umbigo despropositado, também da saudade do nada (dizem sempre vem repetida em porções ou e em bruto), á toa quando se grita em tom mudo ou falar da sonor…

Canção do pão (ou a revolução dos "tesos")

Não sei o que a manhã mostrará, Não avisto no futuro uma só sobra, Que seja broa ou pão, nesta Terra convulsa, Nem na multidão (ainda assim) isenta de firmeza.
Sou descrente de uma confiança Tão escassa no amanhã, nomearei Sem dúvida a revolta Franca como arcaica, Com tolos degolados no terreiro do rei.
(Vive la Repúblique, viva a República)
Não sei se amanhã será revogada Pelas sombras ou em círculos de história Infindáveis a giz tendo no esquecimento advogado Ou se tudo não será apenas uma alínea
Do decreto-lei e do  ditador que aí vier Não sei o que o amanhã nos trará, - Dizia eu - mas poderá alguém ver Pr’álem das paredes de greda e pedra
E das grades de prisão que nos cerca? Basta de alçar promessas falsas, Baseadas em astutas falácias, Não absolveremos quem nos insulta.
Não sei o que o amanhã me trará, Avisto no futuro uma sombra bem negra, E não sei se minha também será, Na canalha de míseros sem pão nem terra
De tocha na mão no Terreno do poder Mal usado, sem compaixão Espetaremos uma "naifa&quo…