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Mensagens

A mostrar mensagens de Novembro, 2010

Lilith

Não me surpreenderam ainda os meus dedos curtos, Num corpo de barro, sem o arrojo que o revele,
Mas abria um buraco no céu, se Lilith viesse por ele E me assombrasse com os seus dedos compridos
E a língua infiltrada, explorando os recantos, Como seres danados, sob uma mesma pele,
“-Porque hei de eu deitar-me debaixo de ti” Dizia simplesmente a fascinante Lilith,
“-Se eu também fui feita tua igual, do pó, Não da meia-costela do Adão com nó na goela,
Que com ele partilha, da fraqueza e não o poder,” Eu abria um buraco no céu se Lilith viesse por ele,
E me amarrasse; e eu me amarrasse a ela, Alimentando -nos de sexo, sem férias,
Na cama menos ingénua do universo. Caiu uma lua nova do céu, numas tréguas
Perfeitas de nuvens -Lilith veio nela…




Joel Matos (26/11/2010)
http://namastibetpoems.blogspot.com

Navio Fantasma

(Cape Tribulation, Australia, 11 de Julho de 1881)(O futuro rei da InglaterraJorge V e a sua tripulação de 12 homens no navio,  HMS Inconstant, avistaram o navio-fantasma no dia 11 de Julho de 1881 quando navegavam na Austrália em Cape Tribulation)
O Navio Fantasma, É coberto de algas, na proa e no mastro e o espectro, no barco (ocapitão Bernard Fokker , rosto de peixe e corpo de homem) Berra em silêncio, com o oceano e o madeiro podre do casco, Num nefasto rangido, quase perpétuo, como as vagas E a errática andança pelo mar, no negrume das sombras,
O fantasma maldito, desafia-o no convés e o nevoeiro ambíguo, Tudo cinge, num abraço de cal e morte. No porão do tempo, Os conjurados navegantes parecem arder, num eterno fogo-fátuo E galgam, galgam ondas, montados nas costas do demo,
Lançando de quand’em vez, um esgar supérfluo, ao luar sem face, Talvez por inveja, da lua, ao invés deles, possuir claro aspecto, Ou evocando as noivas, que os esqueceram, no ardor do clímax.  (Defuntos sem olhos, outr…

Quem Sonhou o Amor...Doía-lhe apenas no Desejo

Não canto de noite porque no meu canto do fundo escuro da casa, Nem sei quando é noite ou se é dia, Ou quando acaba esta e começa o outro.  Não surpreendo o sonho porque durmo de dia, Acordando de quando em vez, Enquanto na noite permaneço acordado, Dormindo apenas enquanto ele se revela em sonho E me vela deitado e ao meu lado. (imagino eu) Por outro lado, se canto a ilusão, Ela me reduz no tamanho, a uma azeitona preta E acabo perdido num universo escurecido e frio, Num oceano alheio de estrelas. Também não canto o dia, No meu canto o raio da luz acaba entrando mas por tempo curto Porque no meu canto não toco nas barbas dos céus E em nada mais que não seja escuridão. Não importa o tempo que faz lá fora, Nem se chove, nem a hora do dia, Eu o reinvento no sonho e no facto d’ele projectar a irrealidade. E no que sonhou o tempo? Sonhou o que seria eu sem o incontrolável futuro e num ínfimo momento, Sonhou Tristão e Isolda, o magnífico mago Merlin, Sonhou a Ordem da Rosa e a Rosa de Luxemburgo,…

De mim não falo mais

De mim não falo mais, Só arranquei um desejo da poça, Se bem que nem o conheça, Mas não falarei dos demais,
Que o diabo os carregue, (aos outros leais seis ou sete), Disseram-me estes: “Anda, anda ver o lindo pôr-do-sol no cais”, Mas até o sol me segue a escorrer de sangue, Se ainda tento fugas desleais.
De mim não falo mais, Mas Terei horror do luar disfarçado de lobo, Na copa dos velhos, velhos olivais, Quando o meu ensejo for negado
E esta despida carne comida por animais, (Agora no claro da noite ainda rezo em segredo) E se o desejo meu tremer de medo. Ainda mais odeio a convicção da cereja na ramada,
Quando esta fica encarnada e enchida E com cachaço de tocador de trompeta E a ventania por nada fica parada, Nem aquela aragem de quem se sente longe e volta.
Por mim não falo mais, que falem os espíritos ,das crenças da noite, (Tidas como horríveis) E nem espero que o desejo de que falo, se nem me conhece, volte.

Joel Matos (2-11-2010) http://namastibetpoems.blogspot.com