sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Lilith


Não me surpreenderam ainda os meus dedos curtos,
Num corpo de barro, sem o arrojo que o revele,

Mas abria um buraco no céu, se Lilith viesse por ele
E me assombrasse com os seus dedos compridos

E a língua infiltrada, explorando os recantos,
Como seres danados, sob uma mesma pele,

“-Porque hei de eu deitar-me debaixo de ti”
Dizia simplesmente a fascinante Lilith,

“-Se eu também fui feita tua igual, do pó,
Não da meia-costela do Adão com nó na goela,

Que com ele partilha, da fraqueza e não o poder,”
Eu abria um buraco no céu se Lilith viesse por ele,

E me amarrasse; e eu me amarrasse a ela,
Alimentando -nos de sexo, sem férias,

Na cama menos ingénua do universo.
Caiu uma lua nova do céu, numas tréguas

Perfeitas de nuvens -Lilith veio nela…




Joel Matos (26/11/2010)
http://namastibetpoems.blogspot.com

Sem comentários:

Às vezes

Às vezes, o que resta na mão nos foge, Tal e qual como num livro a palavra fim, Sinto um vidro fosco ente mim e essa luz Que ...