Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens de Outubro, 2010

Pouco m'importa

Importa-me pouco, De quem são, a inocência, A coerência e a grandeza, Se da fonte baldia,
Ou do reino abismo,   No fundo oceano, Onde a incoerência se lava E a inocência me levou,
Da poesia a beleza; (Digna de seu nome) Mais me Importa, Com o prazer intenso,
(sútil ao-de-leve)
Em valer sempre a pena, Enterrar num poema, a dor
                                       (que por vezes nem sinto) Ela mesma, inintitulada  E despropositada,
Mesmo que a fingir Mas i’nda assim consciente, Do meu sonho acordado
A linha é fina Entre o que sou E ao que sôo De genuíno, por engano
(Digo eu, ,em minha defesa)
Ou Será que talvez Não seja eu quem eu vejo E sinta nesta leveza

Viagem sem retorno

Não há paisagem, Que ame mais que a vida; Habito essa viagem, Da voz à deriva, 
(E sem rumo)

Não deixo na Terra, Uma só vagem de vida, Talvez  a minha margem, Seja a da silva agressiva, Que transporto na bagagem, Do imaginário desarrumo...
Joel Matos... (10/2010)
http://namastibetpoems.blogspot.com

Gardénias

(As Gardénias  nuas das Varandas)




Supondo que era vassalo dilecto, Das Galerias da rua dos botequins, Espalhei p’lo céu, bem lá no alto, Em reclamos mediáticos e pasquins
Feios, simples e práticos querubins       Sem talento, muitos já com defeito, Mas o efeito foi oposto e não serviu os fins Supostos; delas ser, poet’eleito;
Tomei a dor como revestimento, Sem dar conta q’não mereciam tanto, (Tais montras impáveis de manequins)
Hoje moro inda mais alto q’no monte Pr’ás ver d’ponto mais longe e distante, (Galdérias pintadas nuas en'varandins).
Joel Matos (10/2010) http://namastibetpoems.blogspot.com

Nada me prende...A Nada,

Nada me prende a nada
E até no espelho venho N’uma imagem estragada, Alugada; Onde o’tenho?


Se é que ainda o tenho, Na parede esquecida, Olhando, medonho, Esta parcela do nada.


Nada me prende a nada, Nem aos pés quando os ponho, No chão de terra usada, Em chinelos d’um estranho.


Estou gasto e extinto d’vida, E s’inda penso qu’a tenho, È porque não a perco por nada, Se nem completo eu o seu sonho.


Divido-a, entre a mera divida, Do plágio torpe e tristonho, E no que ainda haja de dúvida, Em ser curto e meu o tamanho.


Nada me prende a nada, Se nem ao dúctil rebanho, Menos ainda à corda, Que m’estrangula d’engano.
… e nada…


JOEL MATOS (10/2010)  http://namastibetpoems.blogspot.com

Voto em Branco

Veto Branco da Morte

Já fui fio-de-prumo, primo
Do compasso, esfera armilar,
Cavaleiro d’malta, cruzado,
Invertida pirâmide, credo.

Com vasculhos, do tojo abrunho,
Varri grilhões, desta vil Terra,
E porões, de nau negreira,
Fui falo, d’convento capitel,

Mendiguei, por pães e guita,
Verguei’m’a um ideologista,
De foices, martelos e’Corão,
Ceifeiro, d’cearas d’outros,

Maçom, secretas sociedades,
De todas que "Dei Opus" tem
Como falsas e sem confiança
Em sinos,concílios ,Deuses.

Não me orgulho, de ter sido
Pira d’corpos, cremados na praça,
Imposto de guerra, d’rei déspota.
Chacina em Jerusalém, Darfur.

Sinto despontar um presságio
Maligno, quando urna sem voto
De protesto, sou, em reino,
Onde à sorte, não pertenço.

Já fui, fio d’prumo, compasso,
Tudo, e minh’alma, sem dono,
Não pertence mais a’quem manda,
Mas sim à morte…

Joel Matos (10/10/2010)


http://namastibetphoto.blogspot.com

falta de definição ?

Para bem te descrever, Em verso, sem timbrado decreto:
-Nem papel sem tinta, nem panda vela, Azul forte, do mar de espumas, Nem segredo impresso,de velho mata-borrão,                        (Nem sei se posso isso no espelho ler,                         E além disso nem te esquecer quero) Sendo tua, a raiz d’madrágora e a poção De secreta bruxa, que me espanta Só podes ser "sibila de Cumas" Ou D'Atlanta uma sagrada Musa, E eu fabuloso Argonauta, Do desesperado timoneiro Jasão                           (serei eu a tua definição em falta ?)



Joel Matos (10/2010) http://namastibetpoems.blogspot.com