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Seda Negra




Negra Senda


Lanugens de jovem alfombram cadências de pele acastanhada e levemente rosada, evolucionam gradualmente e finalizam em deleitosos montículos ,que se elevam tesos em amendoim tostado. Melindrados, permitem-se intumescer do toque subtil dos lábios. Pelo menos na febril imaginação de Joel repassava esse sentimento.
Procedendo da elegante linha ,formam delta bem negro, num profundo , algo intangível lago de onde se ausentam longas pernas em seda negra luzente.
Toda uma elegia voluptuosa enquadra o delta, onde um vórtice umbilical se espraia em harmonioso declive.
Deslumbra-o o corpo posado da modelo e deixa se voar num cosmos paralelo de culpas e musas, negras sendas e encarnações de jovem.
Aqui e além surge já uma penugem mais densa, estende-se progressivamente ao fundo do lago e outra linha labial carnuda assoma debaixo, ladeia e distingue-se suavemente de um montículo rígido ,mais claro que o culmina.
Em cada evolução gestual sente-se equilíbrio , o corpo desfila num sem fim sensual de ténues curvas magnificamente produzidas em tons de seda prata.
Longos fios, como cascatas em torvelinho ladeiam um rosto discreto de voracidade branda.
Sons macios a seda e cetim dispersam-se pelo silencioso ambiente ao menor movimento.
O Colo elevado e levemente inclinado ,permite que a catarata de cabelo repouse sobre um dorso modelado e enlaçe com as nádegas fixas do corpo negro e delgado da modelo.


Do lado mudo do quarto Joel extasia-se sem palavras.
Nascido ataviado em noite de agonia, sem guerra e gloria Joel Matos.
Hei-o

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Em tempos quis o mundo inteiro

Em tempos, quis o mundo inteiro, Hospedado no peito, redondo e obeso, Perpétuo como um relojoeiro, Um peito de soldado raso, desconhecido...
Era criança e havia amar, Eternidade, justiça e razão... E um lar... um veleiro vulgar, E um timoneiro sem tripulação.
Hoje sou ilícito e estrangeiro, Partido fui; metade do coração, eu entendi... E o mundo que já cobicei como o ouro, era outro Ficou perdido, em nenhum outro lado, fora d’mim.
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Joel Matos (04/2011) http://namastibetpoems.blogspot.com

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Pareces tão eu
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De resto os dias

São como são,
Uns são acontecidos,
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Pareces tão eu,
Que me aconteço

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Joel Matos (06/2016)
Http://joel-matos.blogspot.com


Soror da dor

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Pouco pra dar 
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Ou nada sequer

Senão vácuo, soror habitual da dor ...



Joel Matos (1/2017)
http://joel-matos.blogspot.com